O racha interno no MDB de São Pedro do Sul, confirmado na última semana quando dez integrantes da executiva, diretório e filiados do partido deixaram seus cargos, vem gerando discussões no meio político do município, embora o presidente da sigla, Sandro Ivori Melo se mantenha em silêncio sobre a situação. Também na última segunda-feira (15), era aguardada a manifestação dos vereadores Zico (MDB) e Maguinho (MDB) sobre o fato na tribuna da Câmara, o que acabou não se confirmando.
Na quarta-feira (17), o ex-prefeito Walmyr Dressler (MDB), se manifestou sobre a crise que vive o partido. Emedebista histórico, filiado a mais de 50 anos, ex-presidente do partido, três vezes prefeito do município e ex-presidente da Câmara, Dressler afirma que a instabilidade no partido se estende desde a última eleição. “O MDB nestes últimos 4 anos, ao invés de procurar unir as forças, ouvir as lideranças que fizeram este partido grande, ao contrário, abandonou um projeto partidário por um projeto pessoal, e com isso algumas atitudes políticas tomadas neste período causaram um mal estar interno. Hoje o MDB não tem mais aquelas pessoas que estavam atuando na linha de frente que todos conheciam”, salientou.

Ainda de acordo com o ex-prefeito, as opções tomadas pelas lideranças do partido nos últimos anos é a causa da atual crise. “Não é uma crise provocada pelo momento atual. O fato do episódio da Câmara de Vereadores (Quebra do acordo por parte dos vereadores Zico e Maguinho para a eleição da Mesa Diretora) acrescentou alguma coisa, mas o desconforto já vinha de longa data. Esta divisão interna é consequência da postura errônea que foi tomada pela direção nos últimos anos. O MDB não abriu espaço para novas lideranças, lideranças que estariam comprometidas com o partido, não apenas para transitar no MDB buscando algum cargo”, afirmou Dressler.
“Pessoas que fizeram a história do partido, e que estariam dispostas a continuar fazendo esta história, não tiveram espaço, não foram consultadas, não foram procuradas, foram simplesmente ignoradas e isso naturalmente fez o partido chegar ao ponto que chegou. Agora, num momento difícil, que não conseguiram atingir seus objetivos, se é que eles têm, procuram estas pessoas e não estão encontrando apoio. Este comportamento culminou com alguns companheiros se retirando do diretório e da executiva. Veja bem, eles não estão saindo do partido, mas sim não quiseram fazer parte das decisões que estão sendo tomadas a revelia. O MDB quer queira ou não queira, é governo, tem o vice-prefeito, tem secretários, tem CCs e estas pessoas exercem cargos de confiança e cargo de confiança supõe-se lealdade a quem nos colocou lá. Então eles sendo governo e o partido sendo governo, tinha que se ter uma postura adequada”, ressaltou.
Para o ex-prefeito, o MDB optou por ser governo e oposição ao mesmo tempo. “Isso em lugar nenhum deu certo. É uma crise, que infelizmente abala o partido, afeta o partido e as vésperas de uma eleição municipal está deste jeito. O momento do MDB é este, lamentavelmente chegamos a um ponto que um grande partido foi administrado de forma pequena”, criticou Dressler, salientando que o presidente Sandro Melo não tem responsabilidade pela situação. “O atual presidente assumiu agora já numa situação delicada, tentando consertar o que não tem mais conserto. Responsabilizo sim os dirigentes do partido nos últimos quatro anos. Foi uma opção de tomar este rumo, esquecendo a história do partido e as pessoas que fizeram este partido grande. O objetivo que eles queriam alcançar não incluía e nem considerava a grandeza e o porte do MDB. Não é uma pessoa de fora isolada, são varias pessoas que optaram por este caminho e agora estão colhendo os frutos da sua opção”, disse.
Para Dressler, diante dos fatos, a única opção do partido hoje é concorrer com candidatura própria na majoritária. “O partido não pode agora se oferecer para ser vice daqui ou dali. A história do MDB não recomenda isso, embora esteja desvirtuada no momento”, orientou.




































































