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Eduardo Leite anuncia pré-candidatura ao governo do Estado

Anúncio ocorre após série de declarações dadas pelo ex-governador de que não disputaria um novo mandato. Foto: Reprodução

Passados 74 dias do anúncio da renúncia ao cargo de governador, o PSDB confirmou no início desta tarde que Eduardo Leite será pré-candidato ao governo do Estado. Em entrevista coletiva na sede do partido, no centro de Porto Alegre, Leite disse que começou a amadurecer a candidatura ainda em janeiro deste ano, em razão das pesquisas mostrarem riscos da continuidade do projeto que está no governo atualmente.

O ex-governador também sinalizou como irá lidar com o fato de ter prometido não disputar a reeleição. Ele disse que não estar no cargo era a única maneira de disputar um segundo mandato, pois assim, segundo ele, não estaria usando a máquina pública a seu favor. “Estar fora do cargo é a única maneira que eu aceitaria disputar a reeleição”.

Leite disse ainda que a ideia de concorrer à reeleição foi fortalecida pelos ataques que considera “de caráter populista” que o governo tem recebido nas últimas semanas de pré-candidatos de esquerda e de direita, citando nominalmente a adesão ao Regime de Recuperação Fiscal. “Nós trabalhamos muito para alcançar o equilíbrio fiscal e não podemos admitir retrocessos”, disse.

Questionado sobre ser acusado de tratar o governo do Estado como um “Plano B”, Leite disse que, se isso fosse verdade, teria aceitado o convite que teve para concorrer à presidência (feito pelo PSD). Por outro lado, ponderou que tomou a decisão de renunciar o mandato para ajudar a construir uma alternativa à polarização entre Lula e Bolsonaro, o que acabou se consolidando na pré-candidatura de Simone Tebet (MDB) à presidência.

Antes de Leite, o governador Ranolfo Vieira Júnior disse que se reuniu com o ex-governador em sua casa na semana passada e que os dois definiram pela apresentação do nome de Leite ao governo. Ranolfo disse que gostaria de ter o seu nome nas urnas, mas que não é movido por vaidades e que o mais importante é a continuidade do projeto. “Não podemos imaginar a possibilidade de retrocesso”, disse.

Questionado sobre quem será candidato a vice, Leite disse que a definição de hoje diz respeito apenas ao PSDB e que agora irão intensificar as conversas com os demais partidos da base aliada na Assembleia Legislativa sobre a vaga de vice e para a disputa ao Senado na coligação. Como governador em exercício e com a definição de não era disputar a reeleição, Ranolfo não deverá ser candidato em outubro.

Leia abaixo a nota de Eduardo Leite comunicando a decisão de concorrer ao governo do Estado:

UM GOVERNADOR PARA O GOVERNO.
UM CANDIDATO PARA A ELEIÇÃO.
Comunico hoje, aos gaúchos e gaúchas, que sou pré-candidato ao governo do Rio Grande do Sul.
Esta é uma decisão coletiva do meu partido. Mas, sobretudo, é uma decisão tomada ao lado e junto com o governador Ranolfo,
como foram todas as outras decisões que tomamos nos quatro anos do nosso governo. Ranolfo não é apenas leal, mas é
comprometido, tanto quanto eu, com o projeto que idealizamos e construímos juntos, e para o qual continuamos unidos para leválo ainda mais longe.
Comecei a amadurecer a possibilidade de disputar um novo mandato em janeiro deste ano, a partir de conversas que mostravam a
dificuldade de mantermos nossa base unida em torno de outra candidatura. A própria imprensa noticiou apelos de lideranças
políticas, sociais e empresariais pedindo para que eu reconsiderasse minha decisão de não disputar a reeleição. Pesquisas
mostravam riscos para a continuidade do projeto que representamos. E até adversários, com posições populistas, me fizeram
entender que deveria colocar o coletivo na frente do individual, e que era preciso ouvir outras vozes e não somente a minha.
No entanto, a decisão final de concorrer foi postergada até agora porque a nenhum de nós, neste momento do país, é dado o direito
de não olharmos para o Brasil. O cenário nacional de polarização indesejada exigiu de nós o desprendimento e a coragem para
tentarmos construir uma alternativa. E é claro que, como governador de um estado importante, eu não poderia deixar de participar,
assim como outros fizeram. O ex-governador João Doria renunciou para se colocar à disposição, eu renunciei para me colocar à
disposição aqui ou lá, o Cidadania desistiu de ter candidato e o próprio PSDB abriu mão da cabeça de chapa para termos, hoje, uma
candidatura única da terceira via, numa construção demorada, complexa e inédita na história do país. Fico feliz de ter dado minha
contribuição, ainda que pequena e muitas vezes incompreendida, para que tivéssemos hoje esta união de esforços do centro
democrático.
Agora, na medida em que finalmente essa união aconteceu, e eu sempre disse que não seria empecilho a ela, foi também a renúncia
que me deixou mais confortável para disputar um novo mandato, fora do cargo, fora do poder e sem contaminar a máquina pública.
O Brasil deu exemplos de que a reeleição no cargo não é bom caminho, e o mensalão e o orçamento secreto estão aí para provar.
Mas o Rio Grande, mais uma vez, dá exemplo de que é legítimo, possível e benéfico separar governo e eleição, governador e
candidato, sem usar instrumentos do poder para conquistar votos ou negociar alianças e apoios. Assim como fiz em Pelotas, quando
fiquei no governo e minha vice foi disputar a eleição, agora sou eu que disputo a eleição, e meu vice está sendo o excelente
governador que se provou desde que assumiu, em 31 de março deste ano. Estar fora do cargo é a única maneira em que eu aceitaria
disputar a reeleição. Mudei de opinião, mas não mudei de princípios. Por isso disse tantas vezes que a renúncia me abria todas as
possibilidades e não me retirava nenhuma.
Uma das possibilidades era disputar o governo do Rio Grande, com orgulho e responsabilidade, e aqui estou. Porque olhando para
o que fizemos, e para os riscos de pararmos no meio do caminho, não tenho como não me apresentar para esta luta. Me sinto
responsável pelos erros e, junto com tantos outros, de diferentes partidos, também pelos acertos. E agora é preciso dar o direito da
população do Rio Grande para que ela faça seu julgamento e sua escolha.
Neste momento, quero encerrar dizendo que o Governo Eduardo Leite não foi feito pelo Eduardo Leite. Foi feito por centenas de
mãos de dezenas de partidos políticos, no executivo ou na Assembleia Legislativa. É justo que agora estejamos unidos novamente,
dando a cada um o legítimo e necessário protagonismo que tiveram nestes quatro anos, pois sem eles não teríamos virado o jogo e
recolocado o Estado no caminho de sermos um só Rio Grande de paz, equilíbrio fiscal, crescimento, desenvolvimento e justiça social.
Promovemos reformas, governamos com responsabilidade, colocamos salários e compromissos em dia e retomamos a capacidade
de investimentos em todas as áreas. Isso não é obra apenas do PSDB, mas de todos que estiveram conosco, que construíram políticas
públicas ou aprovaram projetos na Assembleia. Vou conversar com cada um dos partidos para que possamos caminhar juntos, nesta
estrada que abrimos e que agora pode nos levar mais longe, a caminho de um futuro melhor para todos.
O que fizemos nestes quatro anos fizemos juntos, governo e sociedade. Estou aqui hoje com a humildade de quem sabe ter nas
mãos uma pequena parte desta obra. Mas, também, com a serenidade de saber que é uma parte importante, que me torna
responsável para não abandonar o jogo enquanto ele ainda não terminou.
O que é necessário fazer, o que iremos fazer, temos que continuar fazendo juntos. E é por isso que estou aqui de novo, para dar os
gaúchos e gaúchas a chance de decidirem se devemos continuar o que todos nós já começamos.
Muito obrigado.
Eduardo Leite
Ex-Governador do Rio Grande do Sul

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