Nossas redes sociais

Digite o que você procura

Agronegócio

Produtores defendem manutenção da nova de lei classificação do tabaco no RS

A audiência pública foi proposição dos deputados Zé Nunes (PT), Elton Weber (PSB) e Cláudio Branchieri (Podemos). Foto: ALRS

A Lei Estadual 15.958/2023, sobre a classificação do tabaco nas propriedades dos fumicultores foi tratada em audiência pública conjunta das comissões de Agricultura, Pecuária, Pesca e Cooperativismo e de Economia, Desenvolvimento Sustentável e do Turismo, na quarta-feira (1°).

Foto: ALRS

Aprovada no final de 2022, a Lei transferiu o local de classificação do tabaco da indústria para a propriedade do agricultor. A proposta tramitou por sete anos na Assembleia Legislativa e atendeu uma antiga reivindicação dos plantadores de fumo, que se consideravam prejudicados pelo sistema de classificação que vigia anteriormente.

O novo texto beneficia mais de 71 mil fumicultores gaúchos, que produzem cerca de 280 mil toneladas da planta por ano, segundo dados da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) referentes a safra 2020/2021. A Lei está vigorando, nesta safra, e deverá ser cumprida pelas empresas no RS.

O representante do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (Sinditabaco), Carlos Sehn, que é contrário a Lei, afirmou que o texto é inconstitucional e que obriga o produtor a ficar em casa, aguardando quem compre sua produção. Para Sehn, a Lei modificou um sistema que segundo ele é centenário e sempre funcionou. Afirmou ainda que as empresas agora não sabem como proceder.

O presidente da Fetag, Joel da Silva, rebateu a fala do representante das indústrias, afirmando que a Lei não mudou a forma de classificação. Segundo ele, quem fez isso foi a própria indústria, nos últimos três anos. Joel ressaltou que o que precisa é que a indústria cumpra a Lei, como já vinha fazendo e qualquer contestação deve ser feita no âmbito do Judiciário.

O superintendente do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Milton Bernardes, ressaltou que a matéria tramitou e foi aprovada por quase unanimidade pelo Parlamento Gaúcho. Para Bernardes, o texto já foi amplamente discutida e agora tem que ser cumprida. Paulo Favero, vice-presidente do Sinditabaco afirmou que o tabaco sofre muitas restrições e a cadeia produtiva pode ficar isolada. Favero afirmou que há um conjunto de variáveis, sem citá-las, que podem prejudicar a operação de classificação e venda do tabaco a partir da propriedade dos fumicultores. Ele considera o texto da Lei 15958/2023 como sujeito a interpretação e ressaltou que se a indústria tiver que ir até a propriedade do produtor, classificar o fumo, ela é impraticável.

O representante da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do RS (Fetraf), Renato Stasinki, ressaltou a rotina de trabalho dos produtores e afirmou que mesmo depois de colhido o fumo, o agricultor ainda não sabe qual será o valor que será aplicado pela indústria e que antes da Lei, ficava refém dos valores oferecidos e tendo que arcar com o frete do produto. Marco Dornelles, representante da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) também destacou os aspectos positivos da Lei para gerar equilíbrio no sistema integrado. Para Dornelles, se a indústria afirma que não consegue cumpri-la, precisa provar.

O representante do Ministério da Agricultura, Jairo João Carbonari, registrou a preocupação do órgão com o cumprimento da legislação para garantir a produção do tabaco no RS. Ronaldo Santini, secretário de Desenvolvimento Rural do Governo Leite, lembrou que o setor do tabaco terá um importante debate que é a Conferência das Partes (COP) da ONU e pediu unidade entre indústria e produtores. Santini criticou a lei e afirmou que o texto não garante liberdade para ambos os lados.

O secretário também afirmou que o estado do RS não tem funcionários suficientes para efetuar a classificação, ainda que esta função seja da indústria e dos produtores. No encerramento da audiência, o deputado Zé Nunes, autor da lei, criticou o sistema em que cada empresa apresenta um custo de produção diferente, trabalhando com o mesmo produto. Nunes destacou a mobilização do setor para construir o texto da Lei e afirmou que só o que mudou foi o local de classificação. Todas as outras partes do processo seguem iguais. “Uma cadeia produtiva para ser forte, tem que ter equilíbrio. Os argumentos colocados pelas empresas não se sustentam e o se a classificação for feita na propriedade.” Fonte: ALRS

Tempo agora
São Pedro do Sul - RS
Carregando...

Leia também

Agronegócio

O governo do Estado, por meio de pesquisadores da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), avança na validação a campo de...

Agronegócio

Após um período de retração, o mercado brasileiro de sêmen Angus voltou a crescer de forma consistente e encerrou 2025 com um avanço expressivo...

Agronegócio

O valor de referência projetado para o leite no Rio Grande do Sul em abril é de R$ 2,5333. A previsão, divulgada nesta terça-feira...

Agronegócio

Após a apreensão de 1.447 toneladas de sementes irregulares durante operação no Estado, o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) avaliou os riscos...

Agronegócio

A final do Bocal de Ouro ocorre neste sábado (25), nas pistas da Arena do Cavalo Crioulo, em Esteio (RS), reunindo os melhores conjuntos...

Agronegócio

Desde o sábado (11), estão abertas as inscrições de exemplares para a ExpoBrangus 2026. O evento, que é a maior mostra nacional da raça,...

Agronegócio

Com o tradicional brinde de leite e com o desafio de promover avanços para o setor, foi lançada na manhã desta quinta-feira (16/04) a...

Agronegócio

O vazio sanitário para soja no Rio Grande do Sul ficou definido de 3 de julho a 30 de setembro e o calendário de...

Agronegócio

Chuvas regulares: bom para encerrar ciclo da soja e milho safrinha As chuvas, a partir de 6 de abril, mostram boa regularidade, melhorando a...

Agronegócio

Com a perspectiva de produção de um milhão de litros de azeite no Brasil em 2026, ocorre dia 17 de abril a 14ª Abertura...

Agronegócio

O governo do Estado abriu na terça-feira (7), o período para as agroindústrias familiares realizarem inscrições no 28º Pavilhão da Agricultura Familiar da 49ª...

Agronegócio

O maior pesadelo sanitário dos produtores de milho do país, uma praga chamada cigarrinha-do-milho, causa prejuízo anual estimado em US$ 6,5 bilhões, o equivalente a...

Agronegócio

A colheita de mel se aproxima do final ou já foi concluída no Rio Grande do Sul. Porém, ocorre redução gradual da entrada de...

Agronegócio

A colheita da soja prossegue de forma gradual no Rio Grande do Sul, alcançando 10% da área de 6.624.988 hectares cultivada nesta safra 2025/2026....

Agronegócio

O Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do RS (Conseleite/RS) divulgou projeção de R$ 2,2932 para o valor de referência do leite em março de...

Agronegócio

Com a presença de visitantes, expositores, autoridades e lideranças políticas, na manhã desta terça-feira, 24, a Expoagro Afubra reforçou que o tema escolhido para...

Agronegócio

A tradicional Abertura Oficial da Colheita da Soja no Rio Grande do Sul no município de Tupanciretã, um dos maiores municípios produtores do Estado,...