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Agronegócio

Colheita da soja alcança 10% da área cultivada no RS

Foto: : divulgação/Emater/RS-Ascar

A colheita da soja prossegue de forma gradual no Rio Grande do Sul, alcançando 10% da área de 6.624.988 hectares cultivada nesta safra 2025/2026. De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (26/03), embora as chuvas tenham favorecido a reposição hídrica em parte das lavouras ainda em fase reprodutiva, também impuseram interrupções pontuais à colheita. O predomínio fenológico se situa entre enchimento de grãos (43%) e maturação (41%), indicando proximidade da intensificação dos trabalhos de colheita no curto prazo.

O comportamento produtivo da soja no Estado segue heterogêneo, refletindo a distribuição irregular das chuvas ao longo do ciclo, especialmente durante os estágios críticos de definição de rendimento. Em áreas que mantiveram disponibilidade hídrica adequada, observa-se melhor enchimento de grãos e manutenção do potencial produtivo. Já em ambientes com restrição hídrica persistente, especialmente no Oeste e Noroeste do Estado, ocorreram redução do porte das plantas, abortamento de estruturas reprodutivas e antecipação da senescência, com impacto direto sobre o peso de grãos. A produtividade média revista na segunda quinzena de fevereiro pela Emater/RS-Ascar está estimada em 2.871 kg/ha.

Milho – A colheita do milho no RS alcança 73% da área cultivada, com resultados considerados satisfatórios na média, apesar das variações regionais decorrentes das condições hídricas ao longo do ciclo. As lavouras estão 14% em maturação e 13% em estádios anteriores, as quais têm apresentado resposta positiva às precipitações, especialmente no que se refere à manutenção do enchimento de grãos e ao desenvolvimento vegetativo das áreas tardias.

O avanço da colheita do milho ocorre de forma desigual, condicionado tanto pela umidade dos grãos quanto pela ocorrência de chuvas, que, em alguns locais, têm retardado a perda natural de umidade e limitado a trafegabilidade das áreas. As produtividades refletem o histórico climático da safra. Áreas com regularidade hídrica e manejo adequado apresentam os melhores desempenhos, e regiões com restrição hídrica em fases críticas registraram perdas parciais. A Emater/RS-Ascar estima a área cultivada em 803.019 hectares, e produtividade média em 7.424 kg/ha.

Milho silagem – A colheita do milho destinado à silagem se encontra em estágio avançado no RS, atingindo cerca de 75% da área cultivada. As lavouras remanescentes se concentram em desenvolvimento vegetativo, floração e enchimento de grãos, favorecidas pela reposição parcial de umidade no solo. Ainda assim, a irregularidade na distribuição das precipitações ao longo do ciclo resultou em respostas produtivas distintas entre regiões e ambientes de produção.

As perdas estão associadas à restrição hídrica em fases críticas de crescimento e acúmulo de biomassa, com impacto direto sobre o volume de matéria verde produzido. Em áreas de maior umidade, o desenvolvimento vegetativo foi mantido, e a formação de massa para ensilagem ocorreu dentro de padrões próximos ao esperado. A estimativa da Emater/RS-Ascar indica área de 345.299 hectares com milho silagem, e produtividade média de 37.840 kg/ha.

Feijão 1ª safra – A cultura apresenta avanço significativo da colheita, restando lavouras mais extensivas no Nordeste do Estado, onde se cultiva 43% da área estadual em plantio tardio, em período próximo da segunda safra nas demais regiões produtoras. A Emater/RS-Ascar projeta área de 23.029 hectares, e produtividade média no Estado de 1.781 kg/ha.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul, nos Campos de Cima da Serra, 42% das lavouras de feijão foram colhidas, e 50% estão em maturação. A produtividade obtida está próxima a 2.000 kg/ha, inferior à expectativa inicial, que é de 2.237 kg/ha. A redução está associada ao período prolongado de restrição hídrica e altas temperaturas, que comprometeram o desenvolvimento das plantas, provocando abortamento de flores, menor porte e redução no número de vagens por planta.

Feijão 2ª safra – A 2ª safra apresenta predomínio de lavouras em desenvolvimento vegetativo e reprodutivo. Apenas 4% da área foi colhida até o momento, e 11 % estão em maturação. O avanço do ciclo ocorre de forma relativamente homogênea, com maior concentração nas fases de desenvolvimento vegetativo (46%), floração (17%) e enchimento de grãos (22%), refletindo o calendário mais tardio dessa safra. A Emater/RS-Ascar projeta área de 7.774 hectares, e produtividade média de 1.504 kg/ha.

Arroz – O cultivo de arroz registrou avanço contínuo da colheita, alcançando 35% da área, impulsionado por períodos de baixa precipitação ou acumulados pouco significativos, ainda que tenham sido observados eventos de chuva esparsa. A maior parte das lavouras se encontra em maturação (47%), e 18% ainda estão em enchimento de grãos, fase sensível à disponibilidade hídrica e às condições de radiação solar.

De maneira geral, as produtividades do arroz vêm se confirmando em patamares satisfatórios a elevados nas áreas já colhidas, apesar da redução em relação à safra anterior em parte das lavouras, associada a limitações de incidência solar e temperaturas fora da faixa ideal em momentos críticos do ciclo, além de retração no padrão tecnológico empregado. A área cultivada é de 891.908 hectares (Instituto Riograndense do Arroz – Irga). A produtividade está projetada em 8.744 kg/ha, segundo a Emater/RS-Ascar.

Piscicultura

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Erechim, as condições climáticas do período foram favoráveis ao crescimento e engorda dos peixes, bem como para a produção em tanques escavados, viveiros e represas, onde há adequado manejo de água, alimentação e densidade de estocagem. Em função da maior produção de plâncton e do aumento do metabolismo dos peixes, o ganho de peso está satisfatório. Os produtores planejam a despesca para elevar a oferta na Semana Santa.

Na região de Ijuí, os produtores estão manejando a água dos tanques com policultivo de carpas para a despesca da Semana Santa. Já na de Passo Fundo, foram intensificados os preparativos para despescas e vendas, que devem se intensificar pela proximidade da Semana Santa, quando há a maior consumo de peixes. As condições climáticas contribuíram para a manutenção da qualidade natural das águas e da multiplicação de fito e zooplânctons, importantes fontes de alimentação dos peixes nos sistemas extensivos e semiextensivos de criação. Os produtores vêm empregando o manejo de maneira regular, incluindo monitoramento da qualidade e da oxigenação da água nos sistemas intensivos de criação.

Na região de Porto Alegre, é época de alimentação intensa dos peixes devido às temperaturas elevadas. Produtores monitoram seus viveiros quanto à possível falta de oxigênio dissolvido nestes dias quentes e nublados, com recomendação de uso de aeradores durante a noite. Ocorrem muitas reuniões com piscicultores e parceiros visando à organização das Feiras do Peixe da Semana Santa, principal oportunidade de comercialização para grande maioria dos agricultores familiares. Em Barra do Ribeiro, em parceria com o Sicredi, ocorreu uma capacitação de dois dias para piscicultores com foco na tilapicultura.

Pesca Artesanal

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Pelotas, na Lagoa dos Patos, a pesca artesanal apresenta cenário moderado. Os pescadores estão capturando principalmente tainha e corvina, e a quantidade de camarão está baixa. Na Lagoa Mirim, o período de pesca foi retomado, e a comercialização está razoável em virtude da Semana Santa. A pesca na Lagoa do Peixe, em Tavares, continua baixa, e o camarão pescado apresenta tamanho pequeno.

Na região de Santa Rosa, no Rio Uruguai, o nível de água está baixo. Durante o período, os pescadores relataram bons resultados na pesca de peixe de couro, situação que normalmente é associada ao nível reduzido do rio. Fonte: Seapi

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