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Agricultura brasileira deve enfrentar efeitos severos do El Niño até 2027

A preocupação envolve desde perdas de produtividade até efeitos sobre preços de alimentos, disponibilidade hídrica e economia do país. Foto: Divulgação

O fenômeno climático El Niño deve se estabelecer nos próximos meses e, desta vez, intensificado pelo aquecimento global acumulado nas últimas décadas. Os impactos devem atingir desde as culturas de inverno até a safra de verão, com reflexos na produção agrícola brasileira ao longo de 2026 e até 2027. A preocupação envolve desde perdas de produtividade até efeitos sobre preços de alimentos, disponibilidade hídrica e economia do país.

A avaliação é da especialista Desirée Brandt, meteorologista e sócia da Nottus. “Há indicação de que até o fim do ano o fenômeno seja muito forte e nós sabemos que quanto mais forte for o El Niño, mais sentiremos seus efeitos”, afirmou.

Segundo ela, os modelos climáticos indicam probabilidade de 30% de um evento forte e de 37% de um El Niño de intensidade muito forte. A meteorologista destaca que, mesmo que haja revisões nas projeções climáticas internacionais, os efeitos do fenômeno tendem a ser potencializados pelo atual cenário de mudanças climáticas. “Temos um planeta mais aquecido e isso aumenta os efeitos do El Niño, sobretudo no próximo semestre”, disse.

Os primeiros impactos já começam a aparecer nas culturas de inverno, especialmente no trigo, milho segunda safra e café. No Sul do Brasil, a tendência é de aumento das chuvas nas próximas semanas e meses. Apesar de favorecer a reposição de água no solo, o excesso pode dificultar a colheita do milho segunda safra e comprometer a qualidade dos grãos.

No café, o inverno mais quente reduz o risco de geadas tardias, mas traz outras preocupações. Com episódios de frio mais espaçados e calor chegando mais cedo, a combinação entre temperaturas elevadas e umidade pode provocar floradas fora de época em áreas produtoras de Minas Gerais e do Sudeste. Segundo Brandt, isso pode afetar o potencial produtivo da próxima safra, justamente em um ciclo de bienalidade negativa.

Para a safra de verão, os sojicultores também deve enfrentar desafios. Os modelos climáticos indicam volumes de chuva acima da média no Centro-Oeste, mas com má distribuição. “Pode chover muito em poucos dias e depois abrir longos períodos secos e quentes. Isso dificulta o planejamento do produtor e aumenta o risco de replantio”, afirmou.

A preocupação se estende para o milho segunda safra de 2027. O risco é de interrupção precoce das chuvas e aumento das temperaturas durante o desenvolvimento das lavouras, cenário que pode comprometer a produtividade.

No Matopiba — região que engloba áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — o alerta também é elevado, principalmente para a fruticultura. Segundo a meteorologista, algumas culturas precisam de períodos secos para concentração de açúcar, mas o excesso de calor combinado à falta de chuva pode prejudicar o desenvolvimento das frutas.

As frutas de clima temperado produzidas no Sul do país também podem sofrer impactos. O inverno mais quente pode reduzir o número de horas de frio necessárias para garantir qualidade e produtividade, enquanto o excesso de chuva tende a dificultar o manejo e afetar os pomares. Fonte: CNN

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