A manhã do segundo dia de XXI Jornada Nespro e II Congresso de Criadores teve um tom mais técnico que desdobrou, em números, o que boa parte dos produtores já pode comprovar na prática. Os sistemas de integração pecuária-agricultura entregam mais resultados ao produtor do que as duas atividades realizadas de forma separada. O palestrante Paulo Carvalho, professor do Departamento de Plantas Forrageiras e Agrometeorologia da UFRGS apresentou “A integração dos sistemas agropecuários como estratégia científica e tecnológica para o Sul do Brasil”.
Segundo ele, todos os estudos realizados na região Sul do Brasil mostram que o estado vem operando sob uma realidade climática desafiadora. A alta variabilidade e a frequência cada vez maior de eventos extremos representam risco constante para o produtor. Conforme Paulo Carvalho, nos últimos 30 anos no Rio Grande do Sul, a soja apresenta um histórico de 44% de frustrações de safra e o trigo ultrapassando a marca de 50%. Entretanto, os dados acumulados neste período por um consórcio de grupos de pesquisa comprovam que a diversificação é a resposta para os produtores.
Um experimento de 25 anos conduzido no estado mostrou que a produtividade oscilou entre mais de 70 sacas de soja por hectare em anos bons, para menos de 10 sacas em anos de seca. A média da produção de soja no período foi de 47 sacas. As mesmas áreas com integração produzem o equivalente em ganho de peso uma média de 26 sacos de soja a mais (ganho de peso de gado transformado em equivalente sacas de soja).
Para o estudo, quando o gado é inserido no sistema para pastejar a cobertura de inverno, o resultado financeiro é transformado em sacas de soja. E, com essa conversão, a produtividade salta para 73 sacos por hectare, em média. Em anos bons, o resultado no sistema integrado representa mais do que o dobro do faturamento para o produtor. Já nos anos ruins, o saldo da agricultura sozinha foi negativo em US$ 215,00 por hectare, e o resultado quando a atividade é integrada é positivo em US$ 189,00.
“Nesse ano que acontece isso, a propriedade entra na UTI e dificilmente sai. O gado mantém vivo”, afirma o pesquisador Paulo Carvalho, reforçando o papel pecuária. Ele detalha a disparidade de risco entre as atividades: “A variação de soja média é acima de 30% na condição. A variação de gado média é abaixo de 10%. Gado é a estabilidade do sistema.”
Além da estabilidade financeira, novos estudos apontam que o pastoreio dos animais ajuda até na prevenção de períodos de seca. Utilizando tecnologia de análise do solo em 3D, os cientistas descobriram que, sob o efeito do pastejo moderado, os macroporos do solo tornam-se mais conectados, permitindo captar e guardar significativamente mais água. As modificações físico-químicas e biológicas promovidas pela presença bovina resultam em um incremento de 14% na capacidade de retenção de água do solo. Aumenta também a diversidade do solo, com incremento de 140% na presença de fungos desejáveis em áreas com gado, o que facilita a absorção de fósforo pela soja, resultando em aumento progressivo na produtividade da leguminosa.
Outros temas discutidos pela manhã foram os desafios do uso de forrageiras tropicais, o confinamento como estratégia para a pecuária a pasto e protocolos para aumentar a potência reprodutiva de fêmeas de corte. A parte da tarde é reservada para abordar mercado com a Scot Consultoria, e a nova pirâmide alimentar e os impactos no consumo de carne bovina.




























































