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Valorização da carne e da lã impulsiona retomada da criação de ovinos no RS

A estimativa é de que o rebanho ovino gaúcho gire em torno de 3 milhões de animais, um volume que não tem se alterado nos últimos anos. Foto: Divulgação

Se a fase no Rio Grande do Sul é boa para a produção de gado, a oportunidade também se abre para a retomada de outra tradição no Pampa: a produção de ovinos. O momento é de retomada dos rebanhos nas Regiões Sul, Campanha e Fronteira Oeste do Estado.

“É uma questão de mercado, é ele que decide. E no momento, vemos que tem um mercado ávido e remunerando bem pela carne ovina e também pela lã. Diferentemente de outras épocas, a tendência agora é de alta de consumo para os próximos anos, então, o movimento é contrário ao que aconteceu por um período, quando os rebanhos deixavam de ser prioridade para ceder áreas para as lavouras”, conta o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), Edemundo Gressler.

A estimativa é de que o rebanho ovino gaúcho gire em torno de 3 milhões de animais, um volume que não tem se alterado nos últimos anos. O momento agora, porém, é justamente de crescimento do volume de ovelhas. A expectativa é de que, em um ano, que é o período de desenvolvimento das crias, já seja possível dimensionar o crescimento nos campos gaúchos e, principalmente, nas gôndolas.

Para que se tenha uma ideia da valorização deste produto, há pouco mais de um ano, o quilo do cordeiro vivo era vendido a R$ 9. Hoje, já está em R$ 14. O que é produzido nos campos do Pampa abastece o mercado gaúcho e do restante do Brasil. Hoje, conforme a associação, o Brasil consome em média só 700 gramas de carne ovina por habitante a cada ano.

“O consumo ainda é muito baixo e isso mostra que temos muito campo a crescer. Estamos otimistas, mas com os pés no chão. Temos a consciência de que a criação de ovelhas é fundamental nas pequenas e médias propriedades, e o produtor tem entendido que ela não concorre com a lavoura de soja, por exemplo. A produção integrada, com o uso da pastagem deixada pela soja ou pelo arroz para as ovelhas, gera ganhos também no controle de pragas e no manejo mais adequado do solo”, explica Gressler.

A partir do bom momento, o desafio do setor agora é desenvolver a cadeia produtiva da porteira para fora. Se no setor bovino os frigoríficos têm se aproximado e valorizado a qualidade da carne gaúcha, essa cadeia ainda não está desenvolvida para os cortes ovinos.

Segundo o dirigente, fica no Rio Grande do Sul o maior desses frigoríficos especializados nos cortes de cordeiro, mas na Região Metropolitana de Porto Alegre. Por isso, a Arco tem desenvolvido a ideia de criar consórcios intermunicipais para fortalecer redes de frigoríficos pequenos, que hoje atendem somente os produtores locais.

“O crescimento do setor requer uma indústria também forte, assim como tem fortalecido, por exemplo, o número de confinadores, que preparam para o abate. É uma questão de aprimoramento da logística, que resultará em maior capacidade de atendermos ao aumento da demanda no mercado”, comenta.

Mercado da lã avança, com valorização internacional

E há ainda o mercado da lã, produto valorizado internacionalmente, mas, com a limitação da cadeia produtiva, ainda não gera o valor agregado que poderia render ao Estado. O Rio Grande do Sul produz quase 100% da lã a partir de ovinos no País, mas só 25% do que sai do campo é processado pela indústria brasileira.

O mercado uruguaio, especialmente, acaba absorvendo a maior parte da tosquia. Dados do IBGE apontam que Santana do Livramento concentra a produção de lã mais valorizada no Estado, gerando, em 2024, R$ 6,1 milhões, quase o dobro dos R$ 3,5 milhões de Alegrete, o segundo maior produtor.

O uso da lã vai além do setor têxtil, tendo uso também valorizado no setor de máquinas industriais e climatizadores, por exemplo.

“A fibra das raças que produzimos no Rio Grande do Sul tem maior valor agregado, como lã nobre, especialmente no setor têxtil. No mercado internacional, essa fibra natural é muito pedida, representa maior sustentabilidade em relação à produção a partir do petróleo. É uma oportunidade que o produtor tem valorizado”, avalia Edemundo Gressler.

Anualmente, o rebanho gaúcho proporciona até 8 milhões de quilos de lã ao mercado. A maior parte deste produto hoje é concentrada em cooperativas, que fazem a limpa, o primeiro processamento e o enfardamento da lã para a exportação, em maior volume para o Uruguai.

Fonte: Jornal do Comércio 

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