O número de vítimas do chamado “golpe do falso advogado” tem aumentado em São Pedro do Sul e municípios da região. A fraude, que já vinha sendo registrada em outras partes do país, agora se dissemina com mais intensidade no interior, aproveitando o acesso facilitado a dados públicos e a confiança da população em profissionais da área jurídica.
A presidente da Comissão dos Advogados de São Pedro do Sul OAB/SM, advogada Mariane Braibante, explica que o golpe ocorre quando criminosos se passam por advogados ou escritórios para enganar vítimas. “Geralmente, eles alegam a liberação de valores judiciais mediante pagamento prévio”, afirma.
Segundo ela, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) tem registrado um aumento significativo de denúncias em todo o estado, incluindo a região, o que demonstra a disseminação do golpe.
Como os golpistas agem
Os criminosos utilizam principalmente informações públicas para aplicar o golpe. Dados públicos de processos judiciais e redes sociais são as principais fontes.
A advogada Adriane da Silva Costa reforça que, além disso, pode haver vazamento de dados. “Eles podem conseguir informações por redes sociais, vazamentos de dados ou até consultando processos públicos na internet”, afirma.
Outro fator que aumenta a credibilidade da fraude é o uso de identidades reais. “Frequentemente utilizam nomes e números de inscrição de advogados verdadeiros”, alerta Mariane. Adriane complementa: “Na maioria dos casos, usam o nome de advogados reais ou de escritórios conhecidos, justamente para dar mais credibilidade”.
A advogada Camila Volpato Scherer acrescenta que os golpistas também utilizam fotos reais dos profissionais. “Geralmente pegam a foto do advogado do WhatsApp. É possível consultar o telefone de advogados pela internet ou pelo Cadastro Nacional de Advogados, que é público”, explica ela.
Sinais de alerta
Apesar da sofisticação, há características comuns que podem ajudar a identificar o golpe. Entre os principais sinais estão:
* Pedido de pagamento antecipado para liberar valores
* Contato por WhatsApp ou telefone desconhecido
* Pressa ou urgência exagerada
* Uso de contas bancárias de terceiros ou mudança repentina de dados
* Linguagem genérica ou com erros
* Pressão emocional, como prazos imediatos
Público mais atingido
As vítimas mais comuns são pessoas que possuem ações judiciais em andamento ou aguardam valores da Justiça. Aposentados e pensionistas também estão entre os mais visados. No entanto, não há um perfil único. “Atinge pessoas de todas as idades, classes sociais e níveis de escolaridade”, ressalta Camila.
Pagamento para liberar valores: mito
Um dos principais argumentos utilizados pelos golpistas é a necessidade de pagamento para liberação de valores judiciais. As advogadas são unânimes em afirmar que isso não procede. “Em regra, não há exigência de depósitos diretos ao advogado para liberação de valores judiciais dessa forma, especialmente via contato informal”, explica Mariane.
Adriane reforça: “Isso não é prática correta. Custas judiciais existem, mas não são cobradas dessa forma, por mensagem ou com urgência, e nunca para ‘liberar’ dinheiro”.
O que fazer ao ser abordado
A principal orientação é sempre confirmar qualquer informação antes de realizar pagamentos. Entre os cuidados recomendados estão:
* Não compartilhar dados pessoais ou bancários
* Confirmar o contato diretamente com o advogado ou escritório
* Desconfiar de mensagens urgentes e inesperadas
* Evitar pagamentos sem verificação prévia
“Antes de qualquer decisão, fale diretamente com seu advogado”, orienta Mariane.
Camila reforça a importância do contato direto: “Entre em contato com o advogado e, se possível, vá até ele pessoalmente”.
E se cair no golpe?
Caso a fraude seja confirmada, é fundamental agir rapidamente:
* Registrar boletim de ocorrência
* Comunicar o banco imediatamente
* Guardar provas, como mensagens e comprovantes
* Informar o advogado verdadeiro
“Se a vítima agir rápido, pode haver chance de bloquear valores. Mas, infelizmente, nem sempre é possível recuperar tudo”, alerta Adriane.
Atuação das autoridades
Conforme Mariane, a OAB tem atuado na orientação da população e no encaminhamento de denúncias, além da divulgação de alertas e apoio institucional.
Alerta final
A principal recomendação é simples, mas essencial: desconfiar sempre. “A orientação é de atenção redobrada: confirme informações antes de qualquer pagamento e não confie em contatos inesperados”, destaca Mariane.
Adriane resume: “Desconfie de qualquer pedido de dinheiro inesperado, mesmo que pareça vir do seu advogado”.
E Camila conclui: “Procure seu advogado pelo número habitual e, se possível, vá pessoalmente até ele”.
Dica extra: o site cadastropre.com.br permite consultar, por meio do CPF, se há linhas pré-pagas ativas vinculadas ao usuário em operadoras como Algar, Sercomtel, TIM e Vivo — uma ferramenta útil para identificar possíveis irregularidades relacionadas a dados pessoais.
Por Andressa Scherer Tormes


























































