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Comércio de São Pedro do Sul registra queda nas vendas no início de 2026

Com vendas até 20% menores, comerciantes relatam início de ano atípico e pressionado pelo alto custo de vida. Foto: Gazeta Hoje

O comércio de São Pedro do Sul enfrenta um início de ano mais desafiador em 2026. Empresários locais e representantes do setor apontam redução no movimento e nas vendas, especialmente nos meses de janeiro e fevereiro — período que já costuma ser mais lento, mas que neste ano apresentou queda mais acentuada.

De acordo com a presidente da Associação Comercial e Industrial, Glaucia Gutheil, o momento exige cautela. “A ACI avalia este início de ano com cautela, responsabilidade e realismo. Ainda que não haja um levantamento formal consolidado, a percepção dos associados indica um movimento mais moderado”, destaca.

Ela reforça que o cenário tem relação direta com a economia local. “São Pedro do Sul tem sua base econômica centrada na agricultura e na pecuária, setores afetados há anos pelas sucessivas crises. Esse perfil cria um mercado local com renda relativamente estável, mas também com dependência desses ciclos agropecuários, o que torna o comércio sensível a safras e preços”, explica.

Consumidor mais seletivo e cenário desafiador

Glaucia também chama atenção para o comportamento do consumidor neste período.

“Os primeiros meses do ano concentram diversas despesas, e isso faz com que o consumidor priorize o essencial. Além disso, hoje ele está mais seletivo, mais atento a preços e promoções, e muito exposto às ofertas digitais”, analisa.

Apesar disso, ela destaca a resiliência do setor, afirmando que, mesmo diante das dificuldades, o comércio local segue ativo e buscando alternativas para se manter competitivo.

Glaucia: “Os primeiros meses do ano concentram diversas despesas, e isso faz com que o consumidor priorize o essencial. Além disso, hoje ele está mais seletivo, mais atento a preços e promoções, e muito exposto às ofertas digitais”

Queda expressiva nas vendas

Na prática, os lojistas já sentem o impacto. O empresário André Ziegler relata uma redução significativa no início do ano. “A gente sentiu uma redução bem grande nos três primeiros meses, principalmente em janeiro e fevereiro”, afirma.

Segundo ele, a queda foi mais intensa do que em anos anteriores. “Não é algo comum. Já tivemos anos em que janeiro foi até melhor que dezembro, muito por conta das colheitas. Desta vez foi diferente”, explica.

André aponta como principais causas a crise no setor agrícola e o aumento do custo de vida. “A agricultura passou por seca, enchente, e isso gera dívidas. Ao mesmo tempo, o custo de vida subiu muito. Água, luz, internet, alimentação… não sobra mais para o consumo”, relata.

Ele também observa que o impacto vai além do varejo. “Não é só loja. Restaurantes também estão reclamando que o faturamento caiu bastante. Isso mostra que é uma queda geral”, destaca.

Estratégias com limites

Diante do cenário, os empresários têm buscado alternativas, mas com desafios. “A gente tenta fazer promoções, facilitar pagamento, criar campanhas. Mas tem um limite. Não dá para manter uma empresa só com promoção, porque os custos são muito altos”, explica André.

Ele reforça que o momento exige equilíbrio. “É uma faca de dois gumes. Precisamos vender, mas também precisamos cobrir os custos para manter a loja aberta”, completa.

Queda de até 20% preocupa

O empresário Vancerlei Martini também confirma a redução nas vendas. “Houve uma queda bem significativa. Neste ano, está em torno de 20% a menos em relação aos outros anos”, afirma. “Do meio do ano passado para cá, praticamente todas as lojas sentiram essa redução”, relata.

Vancerlei aponta a estiagem e a crise no setor agrícola como fatores determinantes. “A agricultura sofre, o preço dos produtos está baixo e isso impacta diretamente o comércio. O custo de vida também está alto, então o consumidor fica com medo de gastar”, explica.

Comércio de vestuário também sente impacto

A realidade também é percebida no setor de roupas. A sócia-proprietária Rozemari Souza Scalabrin confirma a redução nas vendas neste início de ano. “Sim, houve diminuição. É comum esse período ser mais fraco, mas neste ano caiu mais”, afirma.

Segundo ela, o baixo poder aquisitivo da população é um dos principais fatores. “Talvez também exista um medo em relação aos rumos da economia. O setor agrícola não foi bem, e isso influencia diretamente”, explica.

Rozemari também destaca a concorrência com o comércio online. “As compras pela internet impactam bastante”, observa.

Estratégias e expectativa no setor

Para enfrentar o momento, a lojista aposta em ações simples, mas estratégicas. “Estamos trabalhando com promoções, postagens no Instagram e Facebook, além da divulgação em rádio”, destaca.

Segundo ela, essas ações ajudam a atrair consumidores.“As promoções chamam quem está buscando preços mais baixos”, afirma.

Apesar das dificuldades, a expectativa é de melhora com a chegada do inverno.“Sempre se tem esperança. O inverno vende bem, então vamos torcer”, diz.

Valorização do comércio local

A empresária também faz um alerta sobre a importância de valorizar o comércio da cidade. “Quem está de fora não sabe os custos que o empreendedor tem, por isso muitas vezes não valoriza o comércio local”, afirma.

Ela reforça o impacto direto na economia: “O comércio é responsável pelo sustento de muitas famílias. Por isso é importante comprar aqui”, conclui.

Expectativa geral do setor

Apesar do cenário desafiador, a ACI projeta uma recuperação gradual nos próximos meses. “Tradicionalmente, a partir de março e abril, o comércio tende a retomar seu ritmo. A expectativa é positiva, mesmo diante dos desafios”, afirma Glaucia.

Ela também reforça a importância do apoio da comunidade. “Valorizar o comércio local é fundamental. Cada compra realizada aqui fortalece a economia, gera empregos e contribui para o desenvolvimento do município”, destaca.

Para os empresários, o apoio ao comércio local é essencial para reverter o cenário atual. “São Pedro do Sul é um polo regional de compras. Precisamos valorizar quem empreende aqui”, afirma André.

Vancerlei reforça a mensagem com tom de esperança. “Precisamos ser otimistas e torcer para que todos os setores melhorem, principalmente a agricultura. Dias melhores vão vir”, conclui.

Por Andressa Scherer Tormes

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