Destinar o olhar para quem exerce o cuidado. Este é o objetivo do projeto “Zelando por ti”, que teve início em fevereiro de 2024, na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de São Pedro do Sul. A iniciativa surgiu de uma necessidade da instituição, onde as mães atípicas relataram exaustão física e mental e buscavam amparo dos profissionais que acompanhavam seus filhos nos atendimentos semanais.

O grupo visa o apoio para aqueles familiares/responsáveis que exercem o cuidado da pessoa com deficiência, seja ele pai, mãe, avó, tia ou tutor. O olhar vai além da deficiência, onde o foco é o cuidador, que exerce toda a responsabilidade no dia a dia da pessoa com deficiência e na maioria das vezes, de modo solitário.
De acordo com a terapeuta ocupacional, Patricia Menezes Schmitt, muitas mães relataram estar com ansiedade e depressão. “Elas vinham buscar atendimento e apoio na equipe da APAE e relatavam para os psicólogos, que estavam cansadas, sobrecarregadas e não conseguiam desempenhar satisfatoriamente certas orientações dadas pelos profissionais, por conta do estresse e sobrecarga mental. Muitas dessas mães têm histórico de ansiedade e depressão. Também 80% dessas mães são solo, pois quando a criança estava em investigação diagnóstica, o pai acabou saindo, não apoiando no tratamento”, relata Patricia.
Os encontros realizados semanalmente tiveram a duração de duas horas. Os profissionais promoveram espaço para o compartilhamento de experiências, interação social, construção de estratégias para o enfrentamento das dificuldades diárias. Também foi trabalhado o autocuidado, autoestima, habilidades artesanais, promoção de saúde, bem estar físico e mental. “Nós criamos ali uma rede de apoio, um espaço para trocas, escuta, aprendizado e nos fortalecemos enquanto grupo, criamos um vínculo muito legal. As mães esperavam com expectativa pela segunda-feira, dia do encontro . Também conforme a demanda das mães que precisavam de uma escuta mais individualizada, a gente prestava esse atendimento com a psicóloga. Foi um momento de muito aprendizado”, destaca a terapeuta ocupacional Patricia.
Para a assistente social, Sandra Fátima Rodrigues, o grupo proporciona às participantes um momento de escuta e acolhimento, fundamentais para enfrentar os desafios enfrentados no dia a dia. “No decorrer da realização de atividades as mães compartilharam o quando é solitário a luta diária para cuidar dos filhos ou familiares com deficiências, tinham mães em vulnerabilidade e risco social que os profissionais psicologia e terapia ocupacional acolheram com várias atividades com promoção da dignidade humana”, ressalta ela.
Em 2024, o projeto inscrito pela assistente social da instituição foi contemplado com uma emenda parlamentar e foi realizado pelo período de 12 meses. “O Zelando do por ti foi custeado por uma emenda parlamentar da deputada Franciane Bayer, encerrando em março de 2025. Estamos buscando recursos através de emendas parlamentares para continuidade deste projeto”, afirma Sandra.
Para mais informações sobre o projeto, os interessados podem se dirigir até a APAE, que fica na rua 25 de Julho, nº 426, bairro Nova Alemanha. O telefone e WhatsApp para agendar uma visita é o (55)99158-8212.
Por Andressa Scherer Tormes




































































