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Incerteza da intensidade do El Niño preocupa agro gaúcho, diz consultor

O impacto econômico preocupa o setor no Estado. Os dois fenômenos climáticos que alteram o regime de chuvas no continente sul-americano – El Niño e La Niña – historicamente atingem a produção agrícola, mas estão muito mais frequentes na última década. Foto: Sérgio Gonzalez/Federasul/Divulgação/JC

A possibilidade de um novo episódio de El Niño voltou a mobilizar lideranças do agronegócio e dos governos no Rio Grande do Sul. Há uma semana, Antonio Sartori, presidente da empresa de consultoria Brasoja, esteve no Peru conversando com autoridades públicas e pesquisadores de órgãos meteorológicos considerados referência internacional no monitoramento do fenômeno, em busca de perspectiva para os próximos meses. “Torça pelo melhor, prepare-se para o pior”, disse ao fim da apresentação feita a empresários em reunião-almoço Tá na mesa, da Federasul. Pouco antes, em entrevista, detalhou os dados aos quais teve acesso e declarou que “o agro está dramaticamente preocupado”, principalmente “pela incerteza do que vai acontecer”.

O impacto econômico preocupa o setor no Estado. Os dois fenômenos climáticos que alteram o regime de chuvas no continente sul-americano – El Niño e La Niña – historicamente atingem a produção agrícola, mas estão muito mais frequentes na última década. Em 10 anos, foram seis anos com estiagem ou excesso de chuva, gerando perdas e queda nos preços das commodities agrícolas.

Segundo Sartori, culturas como trigo, arroz e soja operam atualmente com margens apertadas, o que já afeta o ritmo de comercialização da safra no Estado. “O produtor está com medo do clima, do mercado e da instabilidade geopolítica”, afirmou.

Ainda de acordo com Sartori, muitos agricultores estão reduzindo investimentos diante do aumento do endividamento e do alto custo do crédito rural. “O produtor que acha que a solução dele é o governo, está perdendo tempo. Ele tem que resolver com os seus próprios meios”, critica, tanto em relação ao governo estadual quanto ao federal. 

Secretário da Reconstrução Gaúcha, Pedro Capeluppi destacou ser “importante que se tenha informação confiável e se trabalhe em cima de dados científicos e se escute não só um especialista, mas um conjunto de especialistas, para que possamos saber melhor o que esperar”. O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB), também compôs a mesa, que teve mediação do vice-presidente de Integração da Federasul, Rafael Sittoni Goelzer. Antes, para a imprensa, afirmou que a Capital está “muito mais segura” do que em 2024, mas reconheceu que o novo padrão climático exige preparação permanente das cidades. Segundo ele, as obras de recuperação e modernização do sistema de proteção contra cheias, que já estavam em andamento, vêm sendo aceleradas diante da perspectiva de um novo El Niño.

Melo apresentou aos empresários dados dos investimentos em proteção contra enchentes, que em Porto Alegre demandam cerca de R$ 2,3 bilhões, e destacou que o trabalho deve considerar a bacia hidrográfica e, assim, ser compartilhado entre os municípios e os demais governos – Estado e União.

Ainda assim, com base nas informações que recebeu em sua visita ao Peru, Antonio Sartori disse ao público e aos seus pares de painel que não acredita em efeitos catastróficos decorrentes do El Niño que está em formação. Ele criticou o “sensacionalismo” em parte das projeções divulgadas nas redes sociais: “estamos preocupados, mas é cedo para saber a magnitude”. Conforme os institutos peruanos, disse, a chance de um evento intenso ainda é estimada em cerca de 40%, mas projeções mais confiáveis só deverão ser conhecidas entre junho e julho.

Fonte: Jornal do Comércio 

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