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Crimes de abigeato têm queda histórica no Estado

O abigeato é o crime de subtrair animais de propriedade privada em zona rural, ou seja, o roubo de gado bovino, equino ou animais que se encontram em campos, pastos, currais ou retiros. Foto: Divulgação

O Rio Grande do Sul apresentou em junho o menor registro de ocorrências em toda a série histórica de crimes de abigeato, iniciada em 2010. Na comparação com o mesmo mês de 2022 a queda é de 32,5%, passando de 422 casos para 285. Em relação ao primeiro semestre, houve uma redução de 17,9%.

O abigeato é o crime de subtrair animais de propriedade privada em zona rural, ou seja, o roubo de gado bovino, equino ou animais que se encontram em campos, pastos, currais ou retiros. Esse tipo penal é relativamente comum na região Sul do país, tendo em vista que os três estados são relevantes na pecuária nacional e detêm, juntos, mais de 27 milhões de cabeças de gado bovino. Só no Rio Grande do Sul, a atividade agropecuária representa 77% da área total, de acordo com o Censo Agropecuário de 2017.

Gráfico com título "Abigeatos no RS em junho". Logo abaixo, uma linha amarela mostra a evolução do número de ocorrências deste crime no 6º mês de cada ano, entre 2010 e 2023. Em relação ao ano passado, houve queda de 32,5%, de 422 para 285 casos. O pico foi em 2016, com 975 casos.

A melhora significativa na redução desses índices está relacionada à atuação da Operação Agro-Hórus da Brigada Militar, que tem o objetivo de combater os delitos rurais para que não evoluam e venham a prejudicar a economia rural, os produtores e as famílias no campo. Com atuação em 137 municípios e atenção na faixa de fronteira, a patrulha rural atua na prevenção e repressão de ocorrências contra os crimes transfronteiriços.

De acordo com o subcomandante-geral da Brigada Militar, coronel Douglas da Rosa Soares, a investigação da inteligência norteou os diagnósticos e áreas de riscos para coibir a atuação dos criminosos. “A Operação Agro-Hórus foi desencadeada em 2022 atuando com predominância na fronteira da Argentina e do Uruguai. Com estudos, diagnósticos e o acesso ao banco de dados da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), conseguimos evidências para coibir estes tipos de crime. Desde então, conseguimos prender 263 foragidos e apreender 85 toneladas de carne sem identificação de procedência. Também recuperamos oito máquinas agrícolas e apreendemos 314 armas”, explica Soares.

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul também é pioneira entre as forças de segurança do país combate ao crime de abigeato. Conta com unidades criadas especialmente para atender a demanda: as Delegacias de Polícia Especializadas na Repressão aos Crimes Rurais e de Abigeato (Decrab) foram inauguradas em 2018 e, atualmente, o Estado conta com quatro Decrab subordinadas ao Departamento de Polícia do Interior (DPI). O foco é o abigeato, mas também são investigados outros crimes, como receptação e furto/roubo de maquinário agrícola.

As quatro Decrab estão nos municípios de Bagé, Alegrete, Camaquã e Cruz Alta. Essas delegacias atuam em todo o Rio Grande do Sul, sem se limitar às sedes onde estão instaladas, pois, embora os crimes de abigeato sejam mais frequentes no interior, podem se estender para a Região Metropolitana de Porto Alegre.

“Os crimes rurais fazem parte de uma cadeia complexa o que exige uma investigação qualificada por parte da Polícia Civil. Os abigeatos envolvem organizações criminosas, por isso, atuamos também para descapitalizar essas quadrilhas, combatendo a lavagem de dinheiro”, afirma o delegado Anderson Spier, diretor do DPI da Polícia Civil. Fonte: SecomRS

Gráfico com título "Abigeatos no RS de janeiro a junho". Logo abaixo, uma linha amarela mostra a evolução dos números de ocorrências no primeiro semestre de cada ano, de 2010 a 2023. Em relação ao ano passado, houve queda de 17,9%, de 2.332 para 1.914 casos.
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