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Pecuarista gaúcho amarga baixa de preços ao longo do ano de 2022

O ano de 2022 foi marcado por uma queda histórica no consumo da carne. Foto: Divulgação

O ano de 2022 para a pecuária gaúcha foi desafiador. Com preços baixos e altos custos, os pecuaristas viram um mercado bagunçado durante este ano com uma acentuação da entrada de gado de outros Estados para abate no território gaúcho. A avaliação é do presidente do Instituto Desenvolve Pecuária, Luís Felipe Barros.

O dirigente lembra os dados do rebanho brasileiro mensurados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), onde o Rio Grande do Sul está em oitavo lugar, com pouco mais de 11 milhões de cabeças de gado. “Na frente está o Mato Grosso com 32 milhões de cabeças, Goiás com 24 milhões, Pará com 23 milhões, Minas Gerais com 22 milhões,  Mato Grosso do Sul com 18 milhões, Rondônia com 15 milhões, Bahia com 11 milhões. Para que trabalhar com a commodity carne?”, questiona.

Barros reforça que estes Estados conseguem trabalhar com eficiência porque eles têm comida barata. “Onde tem uma usina de biodiesel, tem um confinamento, ou seja, eles são muito eficientes no que fazem. E nós realmente temos uma comida cara que nos tira eficiência, nos tira a possibilidade de uma criação mais intensiva. A nossa commodity briga com o preço”, salienta.

Outro fator que marcou o ano, de acordo com o presidente do Instituto Desenvolve Pecuária, foi a seca no Rio Grande do Sul, que também trouxe prejuízos para a pecuária com a queimada de campos e afetou o trabalho dos pecuaristas. Além disso, o ano de 2022, de acordo com Barros, também foi marcado por uma queda histórica no consumo da carne. “Não só pela perda de poder aquisitivo, mas também pelo alto preço da carne, O preço para o pecuarista desabou, mas na gôndola a gente não viu essa redução. Em 2021 tivemos o terneiro a R$ 17,00 numa média de R$ 14,00. Esse ano se conseguiu uma média de R$ 10,00 a R$ 11,00, e  no final do ano da safra se tinha terneiro a R$ 8,50”, frisa.

Além disso, o dirigente reforça o dado do IGPM, que em 2021 foi de 17.78 e o boi gordo subiu 9.07. E o IGPM de 2022, com base em setembro, foi 6.61, o boi caiu 18.9%. “Ou seja, a inflação subiu e nós não acompanhamos em 2021 e 2022. A previsão de inflação para 2023 é 4.88, não vai recompor os preços que a gente trabalha. Porque isso é importante? Porque os custos subiram na mesma proporção”, observa.

O presidente do Desenvolve Pecuária, lembra que em 2023 todos os cenários meteorológicos estão apontando novamente para o La Niña. “Ou seja, de novo esta situação. Eu tenho boi gordo eu tenho que tirar porque não tenho mais água, não tenho mais campo. Isso acaba nos prejudicando”, ressalta, acrescentando ainda que existe um clima político imprevisível, dúvidas sobre a inflação e sobre o poder econômico dos consumidores. “A gente tem um mercado internacional instável, a gente não sabe o que vai acontecer na inflação no mundo, se a China vai nos comprar ou não, se eles vão fechar, se a Covid na China vai nos impedir que se faça as importações e como vai se encaminhar essa guerra na Ucrânia”, explica.

Barros enfatiza também a questão da sustentabilidade. “Dentro desta questão está surgindo para nós uma grande oportunidade. Saiu uma decisão da União Européia que só vai comprar carne de propriedade sustentável. A gente está no Rio Grande do Sul, metade é Bioma Pampa que é integração com Reserva Legal, a gente consegue criar gado dentro da Reserva Legal e com isso a gente consegue ter uma propriedade sustentável”, complementa. Com informações do Instituto Desenvolve Pecuária

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