Talvez alguns leitores pensem que sim. Afinal, falar sobre mudanças climáticas, secas, enchentes, perda da biodiversidade e degradação ambiental pode parecer um discurso carregado de más notícias.
Mas não se trata de pessimismo. Trata-se de honestidade diante da realidade.
Pessimista seria acreditar que nada mais pode ser feito. Eu acredito exatamente no contrário. Acredito que ainda temos tempo para mudar a direção da nossa história, desde que compreendamos que a natureza não é um patrimônio que herdamos de nossos antepassados, mas um empréstimo das futuras gerações.
Reconhecer a gravidade da situação não significa perder a esperança. Significa entender que a esperança exige ação. Cada árvore preservada, cada nascente recuperada, cada área reflorestada, cada agricultor que cuida do solo e cada cidadão que escolhe proteger o lugar onde vive tornam-se parte da solução.
Como nos ensina Ailton Krenak, não estamos separados da Terra; somos parte dela. E, na perspectiva do Bem Viver proposta por Alberto Acosta, o verdadeiro progresso acontece quando aprendemos a viver em equilíbrio entre as pessoas, a economia e a natureza.
Portanto, não. Não sou pessimista. Sou alguém que acredita que ainda podemos transformar o futuro, desde que tenhamos coragem de mudar o presente.
Sylvia Salla Setubal – docente IFFar Campus Jaguari
Referências
ACOSTA, Alberto. O bem viver: uma oportunidade para imaginar outros mundos. São Paulo: Autonomia Literária; Elefante, 2016.
KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.



































