Com aproximadamente dois terços do território gaúcho, o bioma Pampa foi o que mais perdeu vegetação nativa no país, 21,4%, nos últimos 36 anos, segundo os mais recentes dados do MapBiomas obtidos a partir da análise de imagens de satélite entre 1985 e 2020. No período o Pampa perdeu 2,5 milhões de hectares de vegetação nativa, que responde por menos da metade (46,1%) do território. As plantações da soja sobre pastagens naturais e até mesmo áreas de plantio de arroz são as principais causas do decréscimo. Em 1985 a agricultura ocupava 29,8% do bioma. No ano passado, passou a usar 39,9%.
Quando usados pelo gado, os campos do pampa preservam a biodiversidade e as espécies, sendo considerada uma região de relevância internacional para diversas espécies de aves migratórias. A existência de ecossistemas naturais incluindo lagoas costeiras, praias, dunas, campos, matas de restinga e áreas pantanosas, atrai uma notável concentração de aves em diferentes estações do ano, em busca de alimento ou de sítios de reprodução.
Segundo Heinrich Hasenack, coordenador do mapeamento do Pampa, os campos naturais do pampa permitem que o gado seja alimentado com dieta completa, sem necessidade de usar milho ou farelo de soja como complemento. Com práticas adequadas de manejo, assegura, a criação de bois tem retorno financeiro similar ao do cultivo de grãos, com a vantagem de preservar a biodiversidade.
“Antigamente poderia se argumentar que desconhece, mas o conhecimento de como obter mais carne por hectare é dominado pelo menos há 20 anos. Não cabe fazer pecuária ou agricultura como se fazia há 200 anos. A região permite ainda criar o gado premium europeu, mais valorizado, e isso não está sendo feito em escala” salienta Hasenack .
O coordenador explica que faltam políticas públicas para incentivar o uso de tecnologias e manejo que preservam as características naturais dos biomas no Brasil, com uma visão coletiva que implante várias cadeias produtivas numa mesma região.

































































