A passagem de uma intensa frente fria, associada a uma área de baixa pressão atmosférica, provocou uma nova rodada de temporais entre a noite de terça-feira (28) e a madrugada desta quarta-feira (29), causando alagamentos, destelhamentos, queda de árvores, interrupções no fornecimento de energia elétrica, elevação do nível de rios e até a ocorrência de tornados em municípios do noroeste do Rio Grande do Sul.
As instabilidades se intensificaram durante a noite, quando núcleos de tempestade avançaram sobre o Estado com chuva forte, rajadas de vento, granizo e fenômenos severos associados a supercélulas. Desde o início da semana, a Defesa Civil e os institutos meteorológicos alertavam para o elevado potencial de tempestades intensas, cenário que se confirmou durante a terça-feira e a madrugada desta quarta.
Um dos episódios mais graves foi o registro de um tornado que atingiu os municípios de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho, no noroeste gaúcho, por volta das 18h25 de terça-feira. O fenômeno provocou destruição em residências, destelhamentos, queda de árvores, danos à rede elétrica e deixou pessoas feridas. Em Sete de Setembro, casas foram destruídas, enquanto em Senador Salgado Filho houve colapso parcial de imóveis e diversos destelhamentos. Equipes da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Samu e prefeituras foram mobilizadas para atender as famílias afetadas e realizar o levantamento dos prejuízos. O tornado foi confirmado pela Defesa Civil do Estado e associado à passagem de uma supercélula, tipo de tempestade caracterizada por uma corrente ascendente giratória capaz de produzir ventos extremamente intensos.
Além da região noroeste, a chuva intensa provocou alagamentos e manteve diversas cidades em estado de atenção. Em Gravataí, por exemplo, o Rio Gravataí ultrapassou a cota de inundação, levando a prefeitura a reforçar o monitoramento das áreas ribeirinhas e manter equipes mobilizadas para atender possíveis ocorrências.
Na manhã desta quarta-feira, a Defesa Civil do Rio Grande do Sul emitiu novos alertas para tempestades e inundações, incluindo avisos de risco muito alto para trechos dos rios Taquari e Caí. O órgão orienta moradores de áreas suscetíveis a alagamentos a acompanhar os comunicados oficiais e, se necessário, deixar preventivamente os locais de risco.
Os temporais também provocaram novos registros de destelhamentos, queda de árvores sobre vias urbanas e rodovias, danos à rede elétrica e bloqueios pontuais em estradas. Em diversos municípios, equipes das concessionárias de energia e das prefeituras trabalharam durante toda a madrugada para restabelecer serviços essenciais e remover obstáculos das vias.
Meteorologistas explicam que o episódio foi provocado pela combinação entre uma frente fria, uma área de baixa pressão e o intenso transporte de calor e umidade da região central da América do Sul. Esse cenário favoreceu a formação de tempestades organizadas, algumas delas do tipo supercélula, capazes de produzir chuva volumosa em curto intervalo de tempo, granizo, ventos destrutivos e tornados.
O solo já encharcado pelas chuvas registradas nos últimos dias aumenta a preocupação das autoridades. Além da possibilidade de novos alagamentos, cresce o risco de movimentos de massa em áreas de encosta, transbordamento de rios e ocorrência de novos temporais isolados.
A previsão indica que as instabilidades ainda persistem ao longo desta quarta-feira, principalmente nas regiões central, metropolitana, dos vales e norte do Estado. Embora a tendência seja de redução gradual da intensidade da chuva entre o fim do dia e a quinta-feira, a Defesa Civil recomenda que a população permaneça atenta aos avisos meteorológicos, uma vez que o nível dos rios poderá continuar subindo mesmo após a diminuição das precipitações.
Até a publicação desta reportagem, os órgãos estaduais seguiam atualizando os levantamentos sobre danos materiais, número de famílias afetadas, pessoas feridas e eventuais bloqueios de rodovias, enquanto equipes de emergência permaneciam mobilizadas para atender as ocorrências relacionadas ao mau tempo.




































































