Um golpe que tem se espalhado por diferentes regiões do país voltou a ser registrado em São Pedro do Sul: o golpe do falso advogado. Criminosos entram em contato com pessoas que possuem processos judiciais em andamento e se passam por advogados ou representantes de escritórios para informar sobre supostos valores a receber.
A abordagem costuma envolver precatórios, alvarás ou créditos judiciais. Para liberar o dinheiro, os golpistas exigem o pagamento antecipado de supostas taxas, custas ou honorários — e é justamente nesse momento que as vítimas acabam realizando transferências ou pagamentos via Pix.
A presidente da Comissão dos Advogados de São Pedro do Sul da OAB/SM, advogada Mariane Braibante, explica que o número de denúncias desse tipo de crime tem aumentado significativamente.
Segundo ela, os criminosos utilizam dados públicos de processos judiciais e informações disponíveis nas redes sociais para tornar a abordagem mais convincente. Em muitos casos, chegam a utilizar o nome, a fotografia e o número de inscrição na OAB de profissionais que realmente existem.
A situação também chama a atenção da Polícia Civil. O delegado Giovanni Lovato, titular da Delegacia de Polícia de São Pedro do Sul, destaca a sofisticação das abordagens e alerta para o uso de novas tecnologias pelos criminosos.
Segundo o delegado, há informações de que os golpistas utilizam ferramentas de inteligência artificial (IA) para obter rapidamente documentos e dados relacionados aos processos judiciais, além de utilizarem imagens dos próprios advogados disponíveis nas redes sociais.
Como identificar o golpe?
Entre os principais sinais de alerta estão:
* pedido de pagamento antecipado para liberar valores judiciais;
* contato inesperado por WhatsApp ou telefone;
* pressão para que a vítima tome uma decisão rapidamente;
* alegação de que existe um prazo que termina naquele dia;
* solicitação de Pix para contas de terceiros;
* mudança repentina de dados bancários;
* mensagens com linguagem genérica ou erros;
* comunicação feita exclusivamente por WhatsApp.
A orientação é especialmente importante para pessoas que possuem processos na Justiça, aposentados, pensionistas e cidadãos que aguardam o recebimento de valores judiciais.
O que fazer antes de realizar qualquer pagamento?
A recomendação da OAB e da Polícia Civil é simples: não faça nenhuma transferência sem confirmar a informação diretamente com o advogado ou escritório responsável pelo processo. Mesmo que a mensagem contenha nome, foto, número da OAB e informações corretas sobre o processo, é necessário desconfiar de pedidos inesperados de dinheiro
O delegado Giovanni reforça que a pressa pode favorecer os criminosos. Segundo ele, assim como não se costuma comprar um carro, uma casa ou um eletrodoméstico sem pesquisar e avaliar antes, também não se deve realizar uma transferência financeira diante de uma situação incomum sem antes conferir as informações. “Ninguém vai perder o dinheiro de um processo se demorar um ou dois dias para pagar qualquer taxa (que, no caso do golpe, é absolutamente indevida). Então a mesma prudência de uma compra deve ser usada antes de transferir valores em situações incomuns”, destaca o delegado.
Mariane ressalta que um novo formato do golpe do falso advogado também foi registrado na cidade. “Eles fazem uma chamada de vídeo, simulando uma audiência e fechando um acordo. Dizem que a pessoa precisa depositar uma certa quantia em dinheiro via Pix. Várias pessoas de São Pedro do Sul já foram vítimas neste golpe do vídeo”, alerta a advogada.
Casos recentes
Dois casos registrados recentemente na Delegacia de Polícia de São Pedro do Sul mostram a dimensão do golpe. Em um deles, a vítima foi abordada pelo WhatsApp por um falso advogado, que alegou a existência de uma indenização e utilizou uma chamada de vídeo para obter acesso às informações do celular. Na sequência, foram realizados três Pix não reconhecidos, totalizando R$35.550,00 (trinta e cinco mil, quinhentos e cinquenta reais).
Em outro registro, uma vítima recebeu contato de um suposto advogado informando sobre valores a receber de uma ação judicial. Após acreditar na abordagem, realizou transferências para diferentes pessoas, resultando em um prejuízo de aproximadamente R$ 7.000,00 (sete mil reais). Uma segunda pessoa envolvida também acabou repassando cerca de R$ 2.200,00 (dois mil e duzentos reais).
Caiu no golpe? Aja rapidamente
Quem perceber que foi vítima deve registrar um boletim de ocorrência o quanto antes e comunicar imediatamente a instituição bancária. Também é fundamental guardar todas as provas: conversas, números de telefone utilizados pelos criminosos, comprovantes de Pix ou transferências e demais informações recebidas.
De acordo com Giovanni, quanto mais rápido a vítima comunicar o caso, maiores podem ser as chances de a instituição financeira tentar bloquear ou recuperar os valores transferidos. A vítima também deve informar o verdadeiro advogado ou escritório responsável pelo processo.
A OAB-RS vem atuando na divulgação de alertas e no encaminhamento de denúncias às autoridades competentes. “A orientação é de atenção redobrada. Sempre confirme informações antes de qualquer pagamento, não confie em contatos inesperados e busque orientação com profissionais de confiança. A prevenção ainda é a melhor forma de evitar prejuízos”, finaliza a advogada Mariane.
Por Andressa Scherer Tormes

































































