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Agronegócio

Diagnóstico da Pecanicultura no RS revela perfil das propriedades, produtividade e principais desafios

O estudo foi feito durante o ano de 2024, a partir de questionários respondidos por 319 entrevistados de todas as regiões do estado. Foto: divulgação/Emater-RS/Ascar

O “Diagnóstico da Pecanicultura no RS” foi lançado nesta quinta-feira (06/11), pela manhã, durante o Encontro Nacional da Pecanicultura, que está acontecendo em Cachoeira do Sul. A apresentação do trabalho foi feita pelo extensionista da Emater/RS-Ascar, Antônio Carlos Leite de Borba. O estudo foi feito durante o ano de 2024, a partir de questionários respondidos por 319 entrevistados de todas as regiões do estado.

O estudo, desenvolvido pelos departamentos de Governança dos Sistemas Produtivos (DGSP) e de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA) da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) e Emater/RS-Ascar, revelou que o cultivo de noz-pecã no Rio Grande do Sul ocorre predominantemente em estabelecimentos rurais cujas áreas totais não ultrapassam 50 hectares (ha). Esse grupo representa 70,53% dos produtores de pecã no estado, mostrando que existe uma forte presença dessa cultura nas pequenas e médias propriedades rurais.

O cultivo da noz-pecã no estado ocorre predominantemente em propriedades rurais identificadas com a agricultura familiar, compondo a renda e o sistema produtivo dos estabelecimentos rurais, juntamente com outros cultivos, especialmente lavouras temporárias, e a bovinocultura de corte e leite. Concomitantemente, há outro segmento onde a pecanicultura tem despertado interesse, formado por produtores com perfil empresarial, que investem em pomares de grande escala como alternativa de diversificação econômica.

Nos últimos cinco anos, a grande maioria, 83,39%, dos produtores de noz-pecã no Rio Grande do Sul não acessou crédito agrícola, seja para custeio ou investimento.

Contam com assistência técnica 65,51% dos produtores, o que indica que mais de um terço (34,49%) não tem assistência técnica para seu pomar. A Emater/RS-Ascar é responsável por 54,23% dos atendimentos; 16,93% são provenientes de empresas/profissionais contratados e 11%, viveiros.

Considerando especificamente o tamanho dos pomares nas propriedades, as plantações de nogueira-pecã com áreas de até 4,0 hectares são característica de 68,61% dos estabelecimentos dedicados à cultura no Rio Grande do Sul.

Produtividade

A produtividade média na safra 2022/23 foi de 1.105,48 Kg/ha, na safra anterior, 2021/22, esse dado ficou em 868,5 Kg/ha. Estratificando os pomares por faixas, considerando a produtividade da safra 2023, verifica-se que 41,3% apresentam produtividade menor que 500 Kg/ha, os pomares com produtividade maior que 500 até 1.000 Kg/ha perfazem 21,86%. Os pomares que produzem mais de 1.000 Kg/ha são pouco mais de um terço do total, 36,84%. E dentre esses, os pomares com os melhores desempenhos, mais de 2.000 kg/ha, somam 13,76%.

Em termos de material genético, os produtores de noz-pecã possuem em seus pomares, de forma mais presente, as cultivares Barton e a Melhorada, em 88,09% e 47,96%, respectivamente. Em seguida se destaca a presença das cultivares Shawnee (18,50%) e Importada (14,42%).

Pragas e doenças

Entre as pragas e doenças, os resultados mostram que antracnose, sarna e formigas são as principais ocorrências, apontadas como “importante” ou “muito importante” para cerca de 50% dos produtores de noz-pecã no estado. Em menor grau, foram apontados como problemas os danos ocasionados por caturritas, percevejos, pulgão amarelo, besouro serrador e ácaros.

Dificuldades

Na opinião dos produtores de noz-pecã, as principais dificuldades para o desenvolvimento da pecanicultura no estado são o preço pago pela fruta ao produtor, a baixa produtividade dos pomares e o longo tempo, entre a implantação e o início da produção de frutas. Destaca-se ainda a falta de mão de obra na propriedade, a falta de produtos fitossanitários registrados para a cultura e a carência de equipamentos adaptados à cultura com valores acessíveis a produtores de pequeno porte.

O estudo está publicado na Circular Técnica n. 30 “Diagnóstico da Pecanicultura no RS”, do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA/Seapi) e pode ser acessado aqui.

Painel Mercado

Ainda na manhã de hoje, o chefe da Divisão Agropecuária do Departamento de Governança dos Sistemas Produtivos (DGSP) da Seapi e coordenador do Programa Estadual de Desenvolvimento da Pecanicultura (Pró-Pecã), Paulo Lipp, foi o mediador do painel “Organização do Setor, Mercado Interno e Exportação”.

Lipp destacou que o painel apresentou uma visão e perspectivas do mercado exterior para exportação. “Isso é fundamental para quem já está na pecanicultura ou para quem quer planejar e iniciar atividades com noz-pecã. Tanto para produtores, viveiristas, comerciantes e indústrias são informações importantes que os palestrantes nos trouxeram”, afirmou.

O 2º Encontro Nacional de Pecanicultura é uma iniciativa do Instituto Brasileiro de Pecanicultura (IBPecan) e Embrapa e conta com o apoio da Seapi, da prefeitura de Cachoeira do Sul, Ulbra e Emater/RS-Ascar e está sendo realizado até amanhã (07/11), no Campus da Ulbra, em Cachoeira do Sul.  Fonte: Seapi RS

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