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SOLIDÃO

Modéstia à parte, eu curto a minha companhia. Gosto de ficar sozinho, de conversar comigo mesmo. Viajar sozinho, por exemplo, é uma benção, pois preciso apenas socializar comigo mesmo. Nunca me sinto mal interpretado e, por mais franco, cruel e politicamente incorreto que eu seja em meus devaneios, não ofendo ninguém. No rádio do carro ouço o que eu quero, seja esporte ou política. Nos meus pen drives estão as músicas que eu gosto e as ouço no volume que meus ouvidos pedem e que o meu coração dispare, torne-se arrítmico, até porque, diariamente, tomo um comprimido de Alcoron. Quando ouço minhas músicas preferidas, gosto de sentir o pulsar do autofalante, sentir-me como se estivesse no meio da orquestra, às vezes, até tocando um instrumento. Nestes casos não erro nenhuma nota, não perco qualquer compasso, executo as variações mais sublimes e meu espírito dança como se estivesse nas nuvens.

Gosto da solidão porque meu espírito se liberta, momento em que o id, o ego e o superego se confundem. O bom é que, quando se enfrentam, entre mortos e feridos salvam-se todos. Por experiência, sei que, espraiado (como diria Olívio Dutra), meu espírito não cansa, desconhece limites de tempo e de espaço. Eu volto a ser jovem e mesmo quando minhas ideias tropeçam nelas mesmas, como se estivessem bêbadas, não preciso pedir desculpas e justificar minhas contradições e lapsos de memória. Só eu sei que estou caducando e essa intimidade, é uma benção. Nem tudo está perdido na velhice…

Permito que minhas ideias sejam contraditórias. Não me importo quando elas sejam, irracionais, precipitadas e que as soluções sempre me pareçam geniais. Para mim, naquele momento, elas são as melhores. Ninguém dá palpite, porque patrolo o contraponto. Depois, engulo as consequências, aguentando o tranco dos erros, das decisões equivocadas, pois a vida apresenta efeitos colaterais que fogem de qualquer controle. O fato é que a mesmice embrutece o espírito e, sempre, o erro é uma oportunidade de aprender. Sempre a gente levanta depois da queda e isso, para mim, significa crescimento do espírito.   

A vida, todos sabem, não espera e os erros não tem apelação. Como disse alguém, palavras proferidas são como pedras, uma vez lançadas, não voltam. O que está feito, mesmo que mal feito, está feito.

Todo este devaneio é porque ouvi um empresário dizer que se o Lula vencer as próximas eleições ele deixará o país. Ele pode até pensar isso, desejar fazer isso, mas isso dito não passa de uma bobagem. Até porque, a porta nem sempre é uma saída, pois também serve para entrar. Democracia é assim: a gente perde e ganha. Pois é, quando ouço isso, mais valorizo estar só…

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