O senador Marcos do Val (Podemos-ES) afirmou, durante uma live na madrugada desta quinta-feira, 2, que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tentou coagi-lo a dar um golpe de Estado. Ele também disse que recusou a proposta, denunciou o ex-presidente e que concedeu entrevista à revista Veja sobre o assunto.
“Eu ficava puto quando me chamavam de bolsonarista. Vocês esperem que vou soltar uma bomba. Sexta-feira vai sair na Veja a tentativa do Bolsonaro de me coagir para que eu pudesse dar um golpe de Estado junto com ele, só para vocês terem ideia. E é lógico que eu denunciei”, disse o parlamentar, na live, cujo trecho foi postado em redes sociais.
Depois disso, Marcos do Val fez uma postagem no Instagram, afirmando que pretende sair “definitivamente da política”. Disse que, durante quatro anos, se dedicou exclusivamente ao Senado, deixando de conviver com a família, e que pretende pedir afastamento do cargo, para o qual foi eleito em 2018 e cujo mandato, de oito anos, vai até fevereiro de 2026.
“Nos próximos dias, darei entrada no pedido de afastamento do Senado e voltarei para a minha carreira nos EUA”, escreveu o senador. “Não adianta ser transparente, honesto e lutar por um Brasil melhor, sem os ataques e as ofensas que seguem da mesma forma.”
Depois da derrota de Rogério Marinho (PL-RN) na disputa pela presidência do Senado, Marcos do Val foi acusado, com outros senadores, nas redes sociais de “traidor”. Em vídeos postados nas redes sociais, o parlamentar aparece cumprimentando o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O senador, que tinha declarado publicamente apoio a Marinho, afirmou que o cumprimento demonstra civilidade e educação.
Saiba mais – O senador afirmou ao g1 que o plano envolvia grampear – sem autorização judicial – o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Alexandre de Moraes.
“Eles me disseram: ‘nós colocaríamos uma escuta em você e teria uma equipe para dar suporte. E você vai ter uma audiência com Alexandre de Moraes, e você conduz a conversa para dizer que ele está ultrapassando as linhas da Constituição. E a gente impede o Lula de assumir, e Alexandre será preso’”, relatou o parlamentar.
Segundo Marcos do Val, o porta-voz do plano foi o ex-deputado Daniel Silveira (PTB-RJ), mas Bolsonaro também estava na reunião e indicou concordar com a ideia. Daniel Silveira foi preso na manhã desta quinta-feira (2) em Petrópolis, no Rio de Janeiro, um dia após deixar o mandato de deputado federal. “A prisão foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em razão do descumprimento de medidas cautelares também definidas pelo tribunal – com o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de usar redes sociais”, diz o g1.
O senador relata ter pedido um tempo para analisar a proposta e ter ido até o próprio ministro Alexandre de Moraes para contar o plano. Segundo Marcos do Val, Moraes ficou surpreso e considerou a proposta “um absurdo”.




































































