Nossas redes sociais

Digite o que você procura

Colunistas

QUEREM CURAR O DOENTE COM CHAZINHOS

O mar não está pra peixe! Os tubarões estão assanhados que nem solteirona em festa de casamento: a inflação continua, o crescimento econômico se esvai nos desvãos da economia e o respeitável público não sabe como fazer caber suas despesas mensais no salário.

Enquanto isto, o ministro Paulo Guedes pede para os supermercadistas que segurem seus preços. Este apelo soa como algo surreal, chegando às raias do patético. Tamanha besteira até poderia ser dita por qualquer um que desconhecesse economia e, dentro do assunto, as causas e as consequência da inflação. Acho que ele se expressou de forma equivocada e não vai ajudar ele jogar a população contra os comerciantes, fazendo parecer que a inflação é causada pela ganância dos supermercadistas.

A solução de qualquer problema passa, obrigatoriamente, pela capacidade que se tenha de diagnosticar as suas causas. O tratamento de um paciente dá certo quando o médico consegue diagnosticar corretamente as causas da doença. Quando o diagnóstico é mal feito, as consequências poderão resultar no agravamento da doença e, às vezes, até em morte.

 Como já escrevi nesta coluna, as causas da inflação poderão ser conjunturais, estruturais ou ambas. São conjunturais fenômenos como a seca que fustigou o Brasil, em especial o Rio Grande. A guerra na Ucrânia que deprimiu o fornecimento de grãos e de fertilizantes e, simultaneamente, fuzilou o equilíbrio da oferta de petróleo, impactando todo o mundo que consome combustível, qualquer que seja ele.

As causas estruturais, no entanto, nascem de medidas econômicas ou políticas, como aprofundar o déficit público que, ao natural, aumenta o custo do dinheiro que o governo capta no mercado para minorar a sua incapacidade de conter os seus gastos. Daí a autoridade tira da manga o aumento das taxas de juros para impedir o consumo! Pode?!

Aí está a grande discrepância da ação política monetária: a inflação não é causada pelo aumento do consumo, mas pela redução da oferta, pela disparada dos preços dos insumos que aumentam custos de produção e, em alguns, casos, até a falta dos mesmos por serem importados da Russia e da Ucrânia.

Quando o ministro pede para que os donos de supermercado segurem os preços, realizem prejuízos e inviabilizem seus negócios, ele apenas põe lenha no fogo inflacionário. Ele, com certeza, sabe que existe o que se chama de inflação psicológica. Ou seja, quando os preços aumentam porque a expectativa dos agentes econômicos (produtores e consumidores), é que os preços aumentarão no futuro. Isso, concorre para uma corrida ao supermercado, fazendo aumentar artificialmente a procura por bens e, como consequência, desde que o mundo é mundo e abandonou o tabelamento de preços, o desequilíbrio da lei da oferta e da procura funcione e fortaleça a inflação no futuro. O pior é que uma outra causa conjuntural está nos massacrando: o ano eleitoral! Os gastos com compra de votos através de benesses irresponsáveis cobrará seu preço para quem ganhar esta eleição. Isto é certo como o fato de que a inflação, nestas condições, continuará!

    Leia também