No Brasil, a educação sempre foi tratada com desrespeito. Hipocritamente, sempre foi tema de discursos eleitorais, destacando-se em todos os programas de todos os governos, de todos os partidos. Aliás, nunca vi um político questionar a importância da educação para a construção de futuros. Mas, infelizmente, a educação nunca passou de um belo palavreado, até porque como diria minha avó Ernestina, mestra na arte de fazer pudins e em ditos e provérbios populares, “as palavras voam e os escritos permanecem”.
No momento em que Bolsonaro anuncia a alta de 32,24% no piso salarial dos professores que atuam na Educação Básica, criou-se uma celeuma. E, como minha avó diria, toda a verdade tem dois lados: o lado de quem fala e o lado de quem escuta. Logo, não há verdade absoluta, nem mentira que sempre dure. (A vó Ernestina hoje está impossível!)
Temos a verdade de Bolsonaro: – “Eu vou seguir a lei. Os governadores não querem os 33%.” (Ele baseia-se na Lei 11.738 de 2008). A verdade da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) é outra: “Não existe base legal para o reajuste.” Aliás, a Advocacia-Geral da União tem o mesmo entendimento e, por vias tortas, endossa o que diz o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski. Os prefeitos, em sua maioria, que vivem outra realidade, também se posicionaram: o aumento do piso para R$ 3.845 criará um rombo nas contas municipais que inviabilizará a prestação de outros serviços à população.
Com certeza, haverá a verdade dolorida dos professores e dos alunos que acabam sofrendo as consequências.
Está escancarada a verdade dos fatos para quem queira ver: a educação sempre foi desvalorizada, menosprezada, ignorada por todos que poderiam mudar este quadro. Aliás, se houve alguém realmente agindo em favor da educação, como um estadista, porque pensando nas gerações futuras, foi Leonel Brizola quando governou o Rio Grande e depois o Rio de Janeiro, onde criou os CIEPs. Que fique claro que não sou nem nunca fui brizolista.
A outra face desta moeda, que poderia ser chamada de “vil metal”, escancara as outras verdades, as verdades escamoteadas, as verdades dos que escutam e que sofrem as consequências dos desmandos da politicalha e que, no frigir dos ovos, não tem voz, mas paga a conta.
Bolsonaro, num golpe de mestre, como o autêntico antiestadista, pensando nas próximas eleições, cumprimentou o professor eleitor com o chapéu dos outros, ou seja, com o chapéu dos prefeitos e dos governadores, até porque este aumento deverá ser cavado nos cofres municipais e estaduais. Ao mesmo tempo, esvaziou o discurso de Lula que não poderá acusá-lo de esquecer o professorado.
Os Municípios e os Estados por outro lado, se levassem a educação à sério, teriam condições de remunerar adequadamente aos professores, pois o desperdício de dinheiro público, os impostos que fogem pelos ralos da incompetência, são escandalosamente verdadeiros e palpáveis. Alguém poderá perguntar: mas o que poderia ser feito por nossos gestores? Racionalizar gastos, que passa pelo corte dos cargos de confiança e dos penduricalhos imorais que só existem na função pública e que se tornaram incompatíveis com a realidade econômica financeira dos Estados e Municípios. É preciso que se diga que os privilégios do funcionalismo nascem na governança patrimonialista, clientelista, subordinada ao corporativismo que resultou numa máquina pública enferrujada, burocratizada e ineficiente, que vai muito além dos cargos de confiança. “Quem quer faz!”, como diria a vó Ernestina!


































