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NÃO BASTA RECLAMAR

Na última semana os católicos comemoraram o dia de São Pedro, apóstolo e mártir. No meu tempo de guri, o dia 29 de junho em São Pedro do Sul, além de feriado, era um dia de festas, com direito à quermesse e fogueira.

Por ter liderado o início do catolicismo, São Pedro é considerado o primeiro Papa da Igreja. Apesar disso, não é um santo muito prestigiado pelo respeitável público. O pessoal prefere Santo Antônio e, nos dias de hoje, São Judas Tadeu, o santo das causas impossíveis. Mas acredito que quem ande muito ocupada seja a Santa Edwiges, que ajuda aos endividados. Sinal dos tempos!

Nasci e vivi minha infância em São Pedro do Sul, onde cursei o primário no então Grupo Escolar 29 de Junho que, para empanar minhas reminiscências, incorporou-se ao Tito Ferrari. Jamais esquecerei da minha primeira professorinha, Maria do Horto, e lembro dela todas as vezes que ouço Meus Tempos de Criança. Como diz a letra dessa música, eu era feliz e não sabia.

Quinze anos atrás mudei para São Pedro e pensei que de minha casa iria direto para o cemitério. Morar na minha terrinha era um sonho que eu acalentava e pretendia realizar quando aposentado. Porém, na vida não basta sonhar! Para que nossos sonhos se concretizem é preciso, além de uma boa dose de sorte, muito trabalho e, às vezes, até alguns sacrifícios. Mas, vale a pena sonhar! Os sonhos, sejam utopia ou não, fazem nossos dias melhores. Sonhar é uma forma da gente se motivar, até porque, mirar o futuro faz nossos olhos brilharem. O que não se deve fazer, em minha opinião, é reclamar da vida, do passado, das frustrações que resultam de sonhos não realizados. Nunca vi ninguém crescer e ser feliz queixando-se da vida, escarafunchando o passado, culpando meio mundo pelos fracassos que eventualmente embaralham os passos.

Falo sobre estas coisas porque tive de mudar de São Pedro por não me sentir seguro em relação a minha saúde e a de minha família. Antes do Natal, no ano passado, tive uma experiência extremamente desgastante com o SAMU e, não fossem os bombeiros, que em 5 minutos estavam na minha casa, não teria resolvido o meu problema. Daí porque, por insistência dos filhos, fui ancorar perto deles.

Na semana passada conheci o funcionamento da saúde pública em Montenegro. Eram 23 horas quando passei pela casa de minha filha para deixar meu filho Cássio e tomar o rumo de Porto Alegre, distante 60 km, em busca de socorro.  Meu genro, que é médico, aconselhou-me a ir para a emergência do Hospital Montenegro, 100% SUS, como dizem as placas que o cercam.

O fato é que conheci um mundo de excelência que imaginava impossível num hospital privado que atende exclusivamente pelo SUS. E, quero deixar claro: ninguém sabia que meu genro era médico. Cheguei chegando e, imediatamente, desencadeou-se um processo na saúde pública que eu desconhecia. A Rosângela acabou internada (pancreatite aguda) e hoje está recuperada, até porque começou a brigar comigo o que significa que ela está ótima…

O Hospital Montenegro (100% SUS) é administrado por um grupo de senhoras que se dispuseram, já em 1911, a fazer o bem. Elas fundaram a Ordem Auxiliadora das Senhoras Evangélicas (OASE) e, corajosamente, construíram o hospital empurradas pelo seus sonhos e pelo apoio da comunidade. Trata-se, portanto, de uma instituição privada, ou seja, sem o ranço da coisa pública. Tenho certeza que a OASE terá o maior prazer de receber a visita de são-pedrenses que quiserem e se dispuserem a transformar o Hospital Municipal de São Pedro do Sul num marco de excelência. O fato é que me senti acolhido e protegido e, extremamente grato e surpreendido com o que vivi e vi no período da internação. Vamos sonhar o mesmo para São Pedro do Sul? Pensem nisso!

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