Seja em uma ligação inesperada ou em uma mensagem aparentemente inofensiva, os golpistas encontram brechas para agir. Em São Pedro do Sul e região, cada vez mais moradores relatam ter caído em fraudes digitais ou por telefone, levantando um alerta sobre a necessidade de prevenção.
Os criminosos utilizam estratégias sofisticadas para enganar a população, explorando a confiança das pessoas e causando desde perdas financeiras até roubo de dados pessoais. Entre os golpes mais comuns estão mensagens de aplicativos que simulam familiares pedindo transferências via Pix, promoções e sorteios falsos, além de ligações de falsos funcionários de bancos ou empresas conhecidas. Muitos moradores, principalmente idosos, têm relatado dificuldades em identificar as fraudes, tornando-se alvos fáceis dos golpistas.
De acordo com a Polícia Civil, os registros relacionados a crimes virtuais cresceram nos últimos meses. A orientação é que, em caso de suspeita, a vítima jamais forneça dados pessoais ou bancários e procure imediatamente a delegacia. “As denúncias precisam ser feitas através de um registro de ocorrência, porque nós só podemos fazer uma efetiva investigação ou o registro com a apresentação de comprovantes de pagamento, capturas da tela do celular que mostram a indicação de um perfil falso nas redes sociais, de um telefone que está se passando por alguém. E também a própria pessoa que teve a sua conta de rede social invadida, como Instagram, Facebook ou WhatsApp, pode denunciar essas páginas falsas ou informar que a sua página foi tomada por um criminoso, solicitando assim a devolução da conta ao seu verdadeiro dono”, destaca o delegado Giovanni Lovato, titular da Delegacia de Polícia de São Pedro do Sul.
Conforme Giovanni, o golpe do falso intermediário também está na lista dos mais recorrentes no município e região. Neste caso, os criminosos clonam o anúncio verdadeiro de um veículo que está, por exemplo, em plataformas online de compra e venda de produtos ou no Marketplace (Facebook). Os autores entram em contato com o real vendedor, informam que estão interessados, querem fechar o negócio e pedem para o vendedor excluir o anúncio. Com esses dados, os golpistas fazem um novo anúncio por um valor inferior e mais vantajoso para o comprador. “Nesse primeiro momento, eles falam com o real vendedor e conseguem convencer essa pessoa a fornecer a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e uma foto dela própria segurando o documento. Depois, eles enviam essas imagens para as vítimas finais e pedem que elas façam o pagamento de uma entrada do valor. Em seguida, solicitam uma taxa para pagamento no tabelionato ou de alguma multa. Eventualmente, simulam que sofreram um acidente e que estão com o veículo em outra cidade ou que o pneu furou e pedem um novo valor. Não é raro que as pessoas façam várias transferências até que se deem conta de que é um golpe”, relata o delegado.
Segundo Giovanni, outro golpe muito atual e que também está relacionado a veículos é o da Transferência Eletrônica Disponível (TED) falsa. “Tivemos um caso recente em São Pedro do Sul em que a vítima perdeu uma Hilux, entregou esse veículo por R$ 110 mil em Santa Maria, mas a TED não entrou na conta imediatamente. A pessoa recebeu um comprovante que era falso, então no dia seguinte não recebeu nenhum valor. Nós temos indícios de que esse veículo foi levado para o Paraguai. Agora, a chance de recuperarmos esse carro é muito pequena, uma vez que foi levado para outro país. Pode ter sido, inclusive, desmanchado para que suas peças sejam vendidas no mercado paralelo”, afirma ele.
Existe também o famoso golpe dos “nudes”, que não se trata de estelionato, mas sim de extorsão com elementos de estelionato. Neste caso, os criminosos se passam pela polícia e exigem valores para não prender supostos pedófilos. “Então, nem as pessoas são pedófilos e nem a polícia está prendendo. O que eles fazem é simular o contato de uma adolescente ou de uma mulher jovem adulta com algum homem já idoso e, alguns dias depois, a polícia entraria em contato afirmando que aquela adolescente era menor de idade e a pessoa seria presa pela prática de pedofilia. Esse golpe já é aplicado desde 2020. Já houve muitas operações da Polícia Civil, mas ainda assim existem alguns relatos atuais de que esteja sendo praticado. Já tivemos casos em São Pedro e em várias cidades do nosso estado. Também dois casos em que as vítimas, depois de terem passado valores consideráveis, acabaram praticando suicídio por acharem que seriam presas. Um desses casos aconteceu em São Sepé”, relata Giovanni.
Para evitar cair nas armadilhas é importante ter atenção redobrada. Não compartilhar dados pessoais, desconfiar de ofertas muito vantajosas, confirmar sempre a identidade de quem faz o pedido de dinheiro e nunca clicar em links suspeitos são medidas essenciais de proteção. “Também é preciso desconfiar de produtos e veículos oferecidos por um preço muito competitivo. Tentar seguir sempre o passo a passo normal de uma negociação. Nos casos de veículos, todos sabemos que é um processo burocrático e a pessoa não entrega uma procuração para uma revenda que não conhece. Não entrega uma procuração antes de receber o valor efetivamente na sua conta. Então são precauções básicas, mas que às vezes as pessoas, na ânsia de realizar um bom negócio rapidamente — seja comprando ou vendendo —, acabam distraídas e realizando a entrega do veículo antes de receber o valor ou transferindo valores sem ter contato físico”, finaliza o delegado.
Saiba mais:
Um em cada três brasileiros sofreu um golpe na internet com prejuízo financeiro nos últimos 12 meses, o equivalente a 56 milhões de vítimas. A perda para a população com essa modalidade de crime — como golpes do Pix ou de boletos falsos, fraude contra cartão de crédito e compras não entregues — foi de R$ 111,9 bilhões.
As conclusões estão em uma nova pesquisa do Instituto Datafolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que mede o impacto dos crimes na internet e contra o patrimônio no Brasil.
A segunda edição da pesquisa “Vitimização e Percepção da Segurança Pública no Brasil” foi lançada durante o 19º Encontro Nacional do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em Manaus. De acordo com o levantamento, os crimes patrimoniais migraram das ruas para o ambiente digital, sobretudo depois da pandemia da Covid-19, em 2020.
O Instituto Datafolha entrevistou 2.007 pessoas em 130 municípios, no período de 2 a 6 de junho de 2025. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos. O intervalo considerado foi de julho de 2024 a junho deste ano.
Por Andressa Scherer Tormes






























































