Os políticos estão brincando com fogo quando debocham dos eleitores. Não percebem o protesto ainda silencioso do público pagante que grita estar cansado de impunidade, que a corrupção não é mais tolerada e que a politicalha não terá seus votos nas próximas eleições. O fato é que os políticos, por suas incúrias, a cada dia tornam-se mais insignificantes, principalmente porque não conseguem polarizar os anseios populares e abusam do poder e esquecem seus deveres quando legislam em causa própria.
Tenho procurado conviver com as contradições dos políticos, num exercício angustiante de tolerância e de paciência. Isso porque, acredito que só a democracia é capaz de gerar prosperidade e justiça através de instituições estáveis. Nem um outro sistema político tem regras tão claras como a democracia, o que gera segurança para os empreendedores em função da previsibilidade.
Mas a democracia para ser exercida e vivida na sua plenitude precisa de políticos e de partidos políticos que, por seus atos, há muito deixaram de ser uma solução para se transformar no maior problema do país. Daí a conclusão lógica que não podemos mudar de sistema político, mas teremos de mudar os políticos, não os reelegendo.
A cada eleição um sopro de esperança emerge das urnas eletrônicas que, por falta do que fazer, Bolsonaro ideologizou. O voto é a arma poderosa que poderá cassar os corruptos, os incompetentes, os que transformam o exercício do poder de legislar num instrumento para benefício próprio. Nas últimas eleições viu-se que velhas raposas foram varridas para fora da política, indo gozar suas polpudas aposentadorias no lixo da história. Mas, infelizmente, os novos rostos que surgiram mudaram o discurso, mas adaptaram-se, rapidamente, aos horrores que a distinta plateia tanto repudia.
Mas vamos aos fatos: para minimizar o abuso do poder econômico nas eleições, criou-se o tal de Fundo Partidário. Em 2018, numa afronta a um país que sofre com permanentes carências em áreas vitais de interesse do público pagante como saúde, educação e segurança, suas excelências acarinharam-se com R$ 1,8 bilhões para fazer suas promessas inócuas na mídia. Como no Brasil é fácil assaltar a população à mãos desarmadas, pois basta criar uma lei safada, nossos “ilustres e dignos” representantes aprovaram largar no colo dos presidentes dos partidos R$ 5,7 bilhões para financiar a campanha eleitoral. Este absurdo está explícito na Lei de Diretrizes Orçamentárias para vigorar em 2022.
A única saída para esta aberração legal seria Bolsonaro vetar. Aliás, ele já prometeu que assim o fará. Mas, vamos às dificuldades presidenciais: às voltas com a CPI da Covid19, que não passa de um instrumento constitucional para chantagear, o balaio de gatos que congrega amigos e inimigos entreverados na busca de qualquer vantagem ficará irritado se e quando Bolsonaro tirar este pão de mel das bocas sedentas da politicalha. A “pequena” mexida ministerial, quando o PP lambuzou-se de poder, já indica que a chantagem surtiu efeito.
Infelizmente, Bolsonaro que se especializou em produzir crises políticas em série com desempenho chocante no combate à pandemia e com falhas alarmantes no controle da economia, talvez sobreviva. Pode ser que a boia que o PP lhe atirou represente uma sobrevida pois seu governo mergulhou também em crises morais fazendo crescer a produtividade das ações criminosas que, aliás, prometeu combater quando candidato. Triste situação do Brasil em que tudo termina em pizza ou na polícia…

































