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Calamidade financeira estadual

Fernaqndo Bassotto é agrônomo do Detec da Cooperagro. Foto: Divulgação

O agronegócio gaúcho clama por socorro urgente. A economia está sendo abalada severamente pelas frustrações de safra ocorridas nos últimos 4 ou 5 anos.
Os custos elevados de produção associados às frustrações gerou o endividamento atual assustador.

Precisamos urgentemente de socorro. A prorrogação alivia mas não é a solução. A securitazação precisa sair. Os agricultores estão na linha de frente, mas todos gaúchos deveriam apoiar esta causa. O comerciante, os proprietários de terra que parecem estar momentaneamente na zona de conforto recebendo arrendamentos incompatíveis com a produção média local e regional também deveriam estar a postos a beira da BR.

O efeito é em cascata, as firmas, cooperativas e revendas e o comércio em geral sofre o impacto e muitos vão fechar seus comércios gerando desemprego em massa se nada for feito pelos Agricultores gaúchos.

O governo federal brasileiro disponibiliza o plano safra anualmente. Ano passado foi 509 bilhões de reais. Deste montante apenas 189 bilhões é recursos controlados e 320 bilhões é recursos livres.
A taxa selic atual é 14,75% ao ano.
A taxa de juros do Pronaf e Pronamp variam entre 6 e 8% ao ano. Sobre os valores disponibilizados em recursos controlados, os 189 bilhões, o governo equaliza a diferença pondo os 7% para fechar nos 14,75% juros de mercado. Portanto o governo coloca do seu bolso, 13 bilhões que logo retornam aos cofres públicos via arrecadação de tributos que no óleo diesel pode chegar até 34% dependendo do estado da federação. Belo negócio né? Pro governo, claro. Põe 7% e retorna 34%.
O montante arrecadado em impostos pelos cofres públicos brasileiro em 2024 foi 2,65 trilhões de reais.
E tira do bolso 13 bilhões apenas. 0,8% apenas, acredite se quiser. Ou leia estude pesquise.
Outros países tratam a agricultura diferentemente. Estados Unidos aportam 12%, China 12%, Japão 38% da sua arrecadação.

O restante do crédito tomado pelos Agricultores brasileiros, que representa 67% do montante usado no agro, a fonte é recursos livres, com juros de mercado como qualquer outra atividade empresarial toma. Nesse ponto o governo não entra com nada de aporte mas colhe os benefícios das cadeias produtivas que geram riquezas, empregos e impostos, claro.

De cada 4 reais que se pega nos bancos pro crédito rural apenas 1 o governo subsidia os juros fazendo a equalização. Portanto 25% apenas.
Por outro lado vejam as despesas com assistência social no Brasil atualmente, 288,4 bilhões de reais totais. Sendo que 158,6 bilhões em bolsa família, 113,6 bilhões em prestação continuada e renda mensal vitalícia e mais 721,5 milhões em emendas parlamentares para assistência social. Vejam que o aporte de recursos é mais de 10 vezes maior para o social que para os agricultores.

Quando anunciam o plano safra parece que os 509 bilhões é dado aos agricultores. Mil vezes não. É empréstimos com juros e correções monetárias que o agricultor devolve. Diferentemente da ação social que é uma doação.
Não é se queichar atoa da situação dos gaúchos, a situação é crítica especialmente dos agricultores. A crise financeira afetará a todos.
E por falar em impostos, hoje 31 de maio, simboliza o fim dos dias de trabalho necessários para pagar todos tributos ao governo. São 5 meses de trabalho para o leão.
Que luta hein…
Com fé e esperança seguimos em frente apoiando a nossa classe rural.
Que dias melhores venham urgentemente.

Fernando Bassotto
Agrônomo
Detec Cooperagro

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