Adormecida, desde quando FHC foi presidente, a inflação veio com tudo para assombrar aos brasileiros de modo geral e, aos assalariados, em particular. Se antes ela ficava espiando na esquina, agora sentiu-se forte para invadir nossos lares. O fato é que, para sobreviver, teremos de alterar hábitos de consumo, cortar gastos ou substituir produtos caros por outros mais em conta porque continuar vivendo é preciso.
A desgraceira só não é maior porque a vacinação conseguiu arrefecer o ímpeto do avanço da Covid. Dá para se dizer que a vida voltou “quase” ao normal e muitos segmentos econômicos que se encontravam paralisados voltaram a funcionar, melhor, abrindo vagas.
Como consequência do descontrole dos preços o Banco Central mexe nos juros e a taxa Selic, que baliza o sistema financeiro, cresce desavergonhadamente. E por que isso é extremamente preocupante? Porque inibi os investimentos. Muitos negócios entraram em compasso de espera, dançando sem sair do lugar, porque no horizonte dos negócios há muitas incertezas. Aliás, a única coisa certa é que, no andor da carruagem, a inflação continuará descontrolada e, por consequência, os juros acompanharão o trote dos cavalos brancos com seus penachos de conto de fadas.
Mas, temos alguma coisa a comemorar, além da retração da pandemia. Pesquisa recente publicada pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul, mostra que a maioria dos empresários está otimista quanto a recuperação econômica. Mesmo que o dólar em alta e o déficit público impulsionado pelas bondades decorrentes de um ano pré-eleitoral, desafiem o bom senso e as boas regras que deveriam orientar a gestão dos recursos públicos. Por conta disso, quatro técnicos graduados do Ministério da Fazenda pediram as contas.
Segundo pesquisou a FIERGS, o Índice de Desempenho Industrial (IDI-RS) cresceu pelo terceiro mês consecutivo a contar de julho. Isso indica que as indústrias começaram a reduzir a ociosidade de suas plantas em decorrência da retração do consumo determinada pela pandemia. Segundo a pesquisa a utilização da capacidade instalada chegou a 85%.
No entanto, o mais animador disso tudo é que 64% das empresas pesquisadas pretendem aumentar seus investimentos nos próximos seis meses. Estes investimentos gerarão um efeito multiplicador que será capaz de fazer de 2022 um ano a ser comemorado. Milhares de empregos serão gerados e a economia, como um todo, sentirá o reflexo do aumento da renda.
A lamentar é a opinião do empresariado de que a pauta econômica foi para o brejo, porque o ano eleitoral deixará tudo em “banho maria”. Para sacudir as águas mornas da banheira é preciso que a reforma administrativa, a reforma do Imposto de Renda, inclusive a questão dos precatórios que farão os credores pagar o pato do ano eleitoral, avancem. A estagnação do processo de tomada de decisões que poderiam amenizar os problemas econômicos, que são concretos, os empresários empurraram com a barriga para depois das eleições. Enquanto isso teremos de aprender a conviver com a queda da bolsa e a alta do dólar, o aumento das taxas de juros e o achatamento do consumo.
E toda a nova geração que pensava viver num país sério, sem inflação, com moeda estável, nível de emprego satisfatório, podendo deliciar-se com um churrasquinho semanal maneiro, com muita música, uma cervejinha gelada, histórias e piadas, vão descobrir, da pior maneira possível, que alegria de pobre dura pouco. Pelo menos, que os colorados aproveitem a onda, pois os gremistas e os aposentados não tem o que comemorar…
































