Diante da estupidez da guerra na Ucrânia, principalmente no que diz respeito à quantidade de vítimas civis, já se começa a falar em holocausto ucraniano e Putim passou a ser o Hitler do pós-guerra. Provavelmente, a história se repetirá: primeiro, teremos um julgamento tipo o de Nuremberg, quando os crimes cometidos pelo exército russo contra idosos, mulheres e crianças serão julgados. Segundo, o mundo se curvará ao barbarismo praticado e criará uma data para homenagear aos que foram assassinados. E, até agora, a agressão russa contra a Ucrânia apenas mostra que a estupidez humana não tem limites.
Mudando de país, mas seguindo a linha de ações estúpidas, sem qualquer discernimento ou bom senso, comemora-se no Brasil o Dia Nacional da Educação (28 de maio). O fato é: temos alguma coisa a comemorar? A educação, no Brasil, só é prioridade no discurso público. É um assunto muito explorado nos palanques eleitorais porque é notório que a educação é a mola propulsora do desenvolvimento sustentável. Ou seja: a educação liberta!
Houve uma época que sonegar educação pública era um instrumento para perpetuar o “status quo”. Só tinham acesso à educação de qualidade os que faziam parte da elite, até por uma questão econômica: os melhores empregos, principalmente públicos, deviam ser protegidos e reservados para uma casta superior.
Aí veio Brizola e, quero ressaltar, não sou brizolista, mas não posso negar o seu empenho em universalizar a educação. Construiu centenas de escolas por este Rio Grande afora. Eram de madeira e pintadas de verde, talvez simbolizando a esperança. Seus críticos diziam que os professores não eram qualificados e que haviam escolas, principalmente, no interior dos municípios onde os professores foram nomeados sem qualquer preparo. E eu sei o que é ser mal alfabetizado, pois até hoje brigo com as letras. Mas, pelo menos, Brizola semeou esperança.
Todos os países do mundo que hoje são desenvolvidos, sem exceção, priorizaram a educação. Os que emigraram para os Estados Unidos, a maioria fugidos das condições desfavoráveis da Inglaterra, traziam junto um padre ou pastor e um professor, às vezes uma mesma pessoa exercendo ambas as funções. E deu no que deu!
A Alemanha, destruída na guerra, beneficiou-se do Plano Marshall e, porque não roubaram e nem deixaram roubar os dólares despejados no país e porque sempre teve uma população escolarizada, deu a volta por cima e hoje é uma das maiores potências econômicas do mundo. O Japão repetiu o feito e mostrou que uma pequeno país pode ser uma grande nação, pois investiu o máximo que pode em educação. Li que o único súdito que não teria de se curvar diante do Imperador era o professor. Israel, é outro exemplo: terminada a guerra conseguiu construir um país num deserto. Apesar do clima, não obstante a vizinhança, graças à escolaridade de seu povo, hoje é o país mais desenvolvido do oriente médio.
Levar a educação à sério é, portanto, a chave para o crescimento econômico e o consequente desenvolvimento econômico. Porém, enquanto as políticas públicas não focarem no aluno, em suas necessidades que se confundem com as necessidades nacionais, com certeza continuaremos um país subdesenvolvido, solo fértil para demagogos e populistas, que se perpetuam no poder distribuindo migalhas, num macabro brincar de governar. A Coréia do Sul, que foi um dos mais pobres países da Ásia, investiu em educação, turno integral, professores qualificados e remunerados com dignidade e hoje é uma potência econômica, com excelente grau de desenvolvimento sócio econômico. Prova que estamos no caminho errado, numa escandalosa e impune marcha à ré. Ou seja, a estupidez se manifesta de muitas formas…


































