Os bens públicos puros são aqueles a que tem direito todos os cidadãos. A saúde, a educação e a justiça são os três pilares fundamentais do progresso sustentável de uma sociedade, por isso são considerados bens públicos puros. Pelo menos é assim que funciona nos países sérios. Evidente que, se considerarmos estes parâmetros, constatamos que o Brasil está longe de ser levado a sério seja como país, seja como nação.
Dentre os escândalos nacionais, o tratamento dispensado à saúde pública é o maior, mesmo considerando a corrupção, a politicalha debochada, a omissão dos legisladores e das autoridades. Talvez até porque a corrupção tenha drenado os recursos que poderiam ser canalizados para a saúde e para a educação. Por isso o Ministro Barroso do STF afirmou, categoricamente, que a corrupção mata!
O tratamento equivocado e irresponsável dispensado pelo Ministério da Saúde ao combate à Covid escancarou os porões da corrupção e do desgoverno. Mas, a pandemia passará, ainda que deixando mais mortes que aquelas choradas em países em guerra e, muito sequelados que, com certeza não terão qualquer apoio da saúde pública ao receberem alta. Porém, a má gestão da saúde pública se perpetuará no tempo, como uma chaga putrefata expondo o quanto é desconsiderado o ser humano aqui no Brasil.
Exemplo disso é o SAMU. Vejam que belo discurso: “O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) tem como objetivo chegar precocemente à vítima após ter ocorrido alguma situação de urgência ou emergência que possa levar a sofrimento, a sequelas ou mesmo à morte. São urgências situações de natureza clínica, cirúrgica, traumática, obstétrica, pediátrica, psiquiátrica, entre outras.” Isso está escrito na propaganda oficial do governo federal. Viram que discurso mais lindo! Dá para dizer que é um primor de descaramento, porque a muito tempo as autoridades perderam a vergonha na cara.
Mas vamos aos fatos, meu caro leitor e, desde já, desejo que nunca venhas precisar do SAMU. Aqui em São Pedro do Sul, por exemplo, se o paciente ou um seu familiar (normalmente o paciente não tem condições de falar) discar o 192, terá de primeiro falar com um burocrata que vai pedir o nome da vítima, o número de sua carteira de identidade e do CPF e outras informações que, seguramente, quem está solicitando o serviço de urgência não sabe de cabeça, até porque o nervosismo que envolve uma emergência atrapalhará. Terá de interromper a ligação e correr atrás dos documentos exigidos. Mas, vamos supor que, num rasgo de otimismo, o paciente saiba por antecedência que irá sofrer um mal súbito ou um acidente e, precavido, tenha deixado os documentos à mão de quem for ligar para o “serviço de urgência”. Mesmo assim, o passo seguinte será explicar para um médico aboletado em Porto Alegre o que o paciente está sentindo, os sintomas, se dói aqui ou ali. Pior, terá de responder perguntas técnicas (só pode ser gozação!) que só outro médico ou profissional da saúde teria condições de responder. Ou seja, o médico só irá autorizar o atendimento depois que o familiar diagnosticar o problema enfrentado pelo paciente. Então, se mesmo assim, alguém achar que o SAMU é um serviço de urgência, vai o meu modesto conselho: faça um cursinho de enfermagem ou de medicina. Um dia, quem sabe, poderá mostrar sua “astúcia médica” para tentar salvar alguém que precise de atendimento de urgência.
Aí, eu me pergunto: por que os vereadores e os deputados estaduais não se mexem para pressionar o governo federal objetivando descentralizar e a desburocratizar o SAMU? O fato é que no Brasil a saúde e a educação não passam de belos discursos, principalmente em períodos eleitorais.
Aproveito para, publicamente, agradecer ao sargento João Batista de Castro e ao soldado Éder Hoch de Menezes da guarnição de São Pedro do Sul. Eles não são médicos, nem paramédicos. Eles são bombeiros e estão acima do labirinto burocrático que mais mata do que salva. Por isso eles são imprescindíveis…































