O aumento continuado e persistente dos preços dos combustíveis, prova a incapacidade de Bolsonaro em administrar uma situação extremamente desfavorável num ano eleitoral. Para tapar o sol com a peneira, levanta a possibilidade de privatizar a Petrobras, como se isso fosse a solução para todos os nossos problemas. Pior: fala em privatizar uma estatal do tamanho e da importância da Petrobras, como se isto fosse fácil e rápido como tirar dinheiro de cego.
Nada contra privatizar qualquer estatal, até porque nossos políticos provaram que não têm qualquer condição para administrar empresas públicas. Privatizar ou não é mais uma questão ideológica que econômica. Porém, qualquer processo de privatização é extremamente difícil, pois contraria os interesses dos políticos que se habituaram a corromper e a serem corrompidos. O PT provou a fragilidade da administração pública quando quase quebrou a Petrobras!
Historicamente, as estatais têm servido como cabide de empregos para apaniguados e protegidos de quem esteja no poder. Eles são nomeados sem qualquer qualificação técnica para ocuparem cargos de direção. Isto está enrustido na cultura patrimonialista de nossos homens públicos. O fato é que as estatais são como um maná onde está o butim. O dinheiro farto, o controle burocratizado, funcionam como imã para os corruptos ou para quem queira corromper. Não tem diretor político de estatal que não fique extasiado com as mordomias, com o dinheiro fácil, com a bajulação que envolve o cargo. Por tudo isso políticos e sindicatos cerrarão fileiras para manter a mamata nababesca representada pelas estatais, Petrobras no meio.
Há muito as estatais deixaram de ser “empresas públicas” ou seja, patrimônio público. Não precisa nem lupa para enxergar que os donos das estatais são os seus funcionários que, transitoriamente, estão no poder, principalmente dos que ocupam o andar de cima e que dirigem as empresas de acordo com os seus interesses pessoais. A Lava Jato provou isto!
Aliás, li que ninguém é mais honesto que um funcionário de estatal. Esta honestidade é exacerbada quando gritam que o “petróleo é nosso”, a “Caixa é nossa”. De fato, é deles! Quando a telefonia foi privatizada o que mais se ouvia é que a “telefonia é nossa”. Quando privatizaram a Vale do Rio Doce, o grito era “o minério de ferro é nosso”. Nosso, como ensinou minha professora de português, é um pronome possessivo…Aliás, o Dr. Google foi rápido em informar que este pronome indica a que pessoa do discurso pertence o elemento ao qual se refere.
O fato é que os defensores da estatização basearam-se em teorias econômicas equivocadas. Quando eu estudava, lá no século passado, ouvia dizer que o desenvolvimento econômico em países atrasados só é possível se induzido por empresas estatais. Interessante é que todos os países ricos e desenvolvidos que hoje dão as cartas e jogam de mão não tem empresas estatais.
O fato é que os xenófobos, os marxistas de ontem e de hoje, sob o argumento de garantir a soberania nacional defendem a estatização. Credo…
Roberto Campos, que era execrado por mim e por meus colegas de faculdade, disse não lembro quando ou onde que os verdadeiros explorados, referindo-se à Petrobras, tem sido os consumidores brasileiros. Como veem, passaram-se os anos e essa verdade continua intata.


































