A pandemia, mesmo depois que todo o mundo esteja vacinado, ainda assim estará fazendo estragos Brasil afora. Nem se trata dos efeitos colaterais da Covid. Isso será resolvido com fisioterapia, apoio psicológico e outros recursos que a ciência oferece.
Refiro-me aos esforços gigantescos que serão exigidos para recuperar a economia brasileira. O fato é que, tudo indica, conseguiu-se, através da vacinação em massa, preservar a vida, fazendo renascer os sonhos e as esperanças. Não há quem não esteja indócil no partidor para extravasar tantos meses de privações e de frustrações, para libertar os sorrisos das máscaras.
Preservada a vida, chegou a hora de lutar pela recuperação econômica e financeira das empresas e, por consequência, das pessoas. Ou seja, recuperar a mola propulsora da atividade econômica, os que geram empregos, renda e impostos.
A pandemia, por certo, desorganizou a atividade econômica. Equívocos, omissões e populismo explícito, transformaram uma crise conjuntural em uma crise estrutural. A crise conjuntural, por ser localizada e, normalmente de curta duração, pode ser contornada sem grandes sacrifícios. Porém, se ela for ignorada, transformar-se-á numa crise estrutural com força para fazer balançar os alicerces econômicos do país.
No caso do Brasil, sair de uma crise estrutural é extremamente difícil, pois qualquer solução passa por estratégias que, num período pré eleitoral, passam longe do Palácio do Planalto e adjacências. Hoje o foco está centrado nas próximas eleições e o governo não sabe o que fazer e muito menos como fazer.
O fato é que a pandemia esgualepou as empresas industriais e comerciais, em especial as de pequeno e médio porte que, tradicionalmente, estão menos capitalizadas e, por consequência, sem munição para enfrentar a guerra da sobrevivência.
Algumas não resistiram e já fecharam as portas, consequência de uma seleção natural que também acontece na economia de um país. Outras, para sobreviver, deixaram de lado as obrigações trabalhistas e tributárias, pois o credor não é tradicionalmente ágil para cobrar a conta. Muitos buscaram compor suas dívidas junto aos fornecedores que, às vezes, dá certo, até porque ninguém quer matar a galinha dos ovos de ouro. Alguns bancos, por sua vez, correram na frente e propuseram reestruturar o endividamento, empurrando com a barriga parcelas de empréstimos e de financiamentos não honrados.
Tudo isso somado, inclusive considerando o avanço determinado da inflação, a teimosia do dólar em se manter nas alturas e a elevação das taxas de juros, criou uma situação no mundo dos negócios que passa pela necessidade urgente de os bancos, principalmente os oficiais, criarem linhas de crédito específicas para o SANEAMENTO FINANCEIRO das empresas.
O problema é que os bancos comerciais só emprestam para quem não precisa de dinheiro. E, muitos dos que precisam, estão negativados. Daí porque, penso que bancos oficiais, notadamente, os de desenvolvimento, criem linhas de crédito para saneamento financeiro, mesmo de empresas negativadas, mediante oferecimento de garantias reais, especificamente para as empresas que até março de 2020 estavam com suas contas em dia e que tenham apresentado lucro operacional no balanço que se encerrou em dezembro de 2019.
A lógica desta tática é que, ao invés dos bancos de desenvolvimento fomentarem a criação de empresas novas, agora apoiem as que já existem e que, por conta da desorganização pandêmica da economia, hoje podem ser viabilizadas com aporte de capital de giro. Mais do que uma questão de bom senso, trata-se de uma questão de justiça…































