Numa viagem com o economista Afonso Amaral, meu parceiro no projeto BRDE, descobri que a quarta revolução industrial está em pleno andamento e eu ainda nem ouvira os tiros. Aliás, esta surdez tecnológica é típica na velhice. Não são apenas os mais jovens que se acomodam e se recusam, inclusive, em avaliar a possibilidade de saírem de suas zonas de conforto. Os velhos principalmente, quando se trata de entender e de aceitar a evolução tecnológica são ainda mais arredios. Bem, eu estou velho, mas procuro não ser velho. A munição anda escassa, mas a coragem continua a mesma dos meus áureos tempos.
Como todo o mundo sabe a primeira revolução industrial aconteceu quando nossos antepassados, aqueles que não gostavam de pagar aluguel e viviam em cavernas, deixaram de ser nômades, pescadores, caçadores e coletores, para plantar e criar o que fosse necessário para o seu sustento. Controlaram o fogo e usavam o ferro para fabricar armas. O passo seguinte foi desenvolver um processo artesanal para construir bens de consumo e, na falta de dinheiro o escambo foi a salvação da lavoura. Isso durou até 1760, quando a Revolução Industrial explodiu na Inglaterra e os processos artesanais de produção deram lugar às máquinas. O fato é que até a 2ª Guerra as coisas andavam sonolentas. Aí, num curto espaço de tempo, inventou-se o radar, surgiram os primeiros processos operacionais e os computadores e a bomba atômica e os misseis mostraram o quanto a inventividade humana pode ser autodestrutiva.
Na década de 70, a informática passou a dar as cartas e a jogar de mão e agora estamos assistindo as escaramuças da 4ª Revolução Industrial. Os canhões deram lugar para os computadores e a munição é a inteligência artificial, a internet e a computação em nuvem que, simplesmente, estão mudando os sistemas de produção e os modelos de negócios no Brasil e no mundo. Traduzindo isso para linguagem de gente, significa que os computadores conversam entre si e trocam dados e aumentam a produtividade, reduzindo custos.
Resulta que, no caso das indústrias, o impacto no aumento da produtividade é incontestável em decorrência da maior eficiência do uso de insumos e a possibilidade de qualificar a logística, podendo, inclusive, integrar empresas sediadas em outros lugares, mesmo no exterior. Torna-se evidente a qualificação na gestão empresarial pelo uso de estratégias para implantar tecnologias, como a cooperação entre as áreas de tecnologia de informação (TI) e as de produção.
Porém, em plena guerra tecnológica, a maioria das empresas, especialmente as pequenas e as médias, não chegaram sequer na fase de administrar seus negócios baseadas em planejamento econômico-financeiro. Por conta disso, não têm condições de se anteciparem aos problemas. Os gestores apenas reagem às descontinuidades que surgem no dia a dia. Muitas conseguem enxergar os negócios através de sistemas informatizados, o que já é uma coisa boa. Mas dimensionar a sua empresa para a maximização de resultados, isso só as grandes fazem.
Lembro de um curso onde o professor (era norte-americano) perguntou aos alunos o que era administrar. Muitos, como eu, escrevemos um monte de bobagens baseados em teorias de Taylor, Ford, Fayol. Afinal, éramos professores! Para nossa surpresa, a sua resposta foi de uma simplicidade castiça: “Administrar é fazer acontecer!” Isso ele repetiu três vezes, talvez querendo ter certeza de que tínhamos entendido o recado. E, sem que perguntássemos, ele emendou de primeira, sem pulo: “Fazer acontecer o quê?” Ele mesmo respondeu: “Um plano estratégico, econômico e financeiro!”
Ele devia ser piloto, pois descreveu em minucia um plano de voo de um pequeno avião para concluir, dizendo mais ou menos isso: “Se para administrar um aviãozinho que custa cerca de US$ 100 mil elaboramos um plano, seremos temerários e irresponsáveis quando administramos uma empresa que custa milhões e tem enorme responsabilidade social sem nenhum planejamento, como se fosse um voo cego!”































