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DESNORTEADO

Os mais antigos, aqueles que como eu nasceram no século passado, lembrarão de uma campanha publicitária que falava do efeito Orloff: “Eu sou você amanhã.” Esta campanha de vodka alertava sobre a vantagem de consumir uma bebida que não dava ressaca. Quem nunca tomou um fogo de vodka, principalmente quando misturada com Cirillinha, por certo acreditaria nesse “reclame” publicitário.

Depois, lá por volta de 1990, o velho chavão passou a ser usado para comparar o Brasil e a Argentina. Dizia-se que o Brasil seria a Argentina amanhã. Ou seja, a hiperinflação e a desorganização da economia argentina era uma amostra do que aconteceria com o Brasil se suas excelências não assumissem aqui no Brasil que pouco faziam a favor da nação e mudassem seus maus hábitos.

A Argentina é uma contradição, pois apesar de ser um país rico em proteína, grãos e petróleo, com uma população relativamente pequena e com um bom nível de escolarização, não consegue romper as barreiras do subdesenvolvimento econômico, político e social. Esta tragédia, como se fosse um traço cultural, deita e rola nas letras dos tangos. O tango, aliás, é a única tragédia que se dança. Suas letras são um primor de dor de corno, temperado com amores não resolvidos, traições e indiferenças. Talvez seja isso que explique a expressão fisionômica trágica dos dançadores de tango, atestando que por lá os cornos não são mansos.

Estou escrevendo isso tentando mostrar que não adianta um país ser rico se seus políticos forem medíocres. A Argentina poderia ser uma potência se não fosse a baixa qualidade de seus homens públicos, de suas lideranças. Lá, como aqui, a política é uma praga e os políticos são os agentes causadores, tipo gafanhotos, da devastação das riquezas e das oportunidades nacionais. 

O fato é que as ações políticas aqui no Brasil deixam qualquer vivente desnorteado. Está tudo muito confuso e o vento de insegurança que sopra em Brasília se espalha como se fosse uma Covid por todo o Brasil. A insegurança passou a nos fazer companhia. E suas excelências mais uma vez mostram ser uma espécie humana altamente eficiente para brigar por seus interesses pessoais, pouco importando o que interessa para a nação. Seus interesses passam longe das mais modestas aspirações do respeitável público. O Brasil que se lixe. Triste, assim!

Quando a maior autoridade do país concentra seus esforços para defender o retrocesso representado pelo voto impresso, mais aumenta a insegurança e o desassossego. Quando a inflação derruba sonhos e desorganiza a economia impulsionando os juros para uma área obscena, mais desnorteado a gente fica.  Quando se começa a brincar com fogo, pretendendo que através da força se imponha a vontade de minorias, quando a democracia é posta em risco por interesses pessoais de uma minoria barulhenta e radicalizada, mais Bolsonaro fica parecido com Lula e mais desnorteado fica o público pagante. Lula e Bolsonaro são farinha do mesmo saco: buscam o poder pelo poder. Lutam pelo poder para brincar de governar e para satisfazer anseios e necessidades inconfessáveis que, aliás, passou recibo quando foi condenado por ladrão.

Espero que a minoria séria do Congresso Nacional, os homens de juízo do mundo empresarial, as lideranças legítimas deste país, as pessoas de bom senso e minimamente preocupadas com o Brasil, endossem o manifesto público que já está circulando e, com isso, impeçam o caos. Alguém terá de pôr juízo na cabeça dos que se dizem líderes…

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