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Égua morre de mormo no interior de Alegrete

A confirmação da doença ocorreu após exames realizados dentro dos procedimentos sanitários relacionados à movimentação e participação de equinos em atividades durante o período dos Festejos Farroupilha. Foto: Portal Alegrete Tudo

Uma égua morreu na última semana, em Alegrete, após a confirmação de infecção por mormo. O animal, chamado Stella, vivia em uma propriedade localizada no Rincão de São Miguel, na zona rural do município, a cerca de 40 quilômetros da cidade.

A confirmação da doença ocorreu após exames realizados dentro dos procedimentos sanitários relacionados à movimentação e participação de equinos em atividades durante o período dos Festejos Farroupilha, quando aumenta a circulação de animais em eventos tradicionalistas.

Em contato com a reportagem do Portal Alegrete Tudo (PAT), o proprietário, Adarino Guedes, relatou que providenciou o exame de mormo para que Stella pudesse ser utilizada nas atividades previstas para o período. Guedes também é conhecido por sua ligação com o tradicionalismo e por ter sido patrão do CTG Vaqueanos da Fronteira.

Segundo o proprietário, o primeiro exame apresentou uma alteração que levantou a suspeita da doença. Diante da necessidade de uma avaliação complementar, um segundo exame foi realizado e confirmou a infecção por mormo. Por participar de competições de polo, a égua estava sujeita às exigências sanitárias previstas para a modalidade, incluindo o exame para mormo, devido à circulação e concentração de animais de diferentes procedências, inclusive de outros países, durante treinamentos e competições.

Stella era utilizada na prática de polo e também participava, em algumas ocasiões, de atividades relacionadas ao curso de peão campeiro. O proprietário conta que o animal tinha um comportamento dócil e fazia parte da rotina da família.

“Ela era uma tordilha, bem mansa, já fazia parte da família, com minha neta. Ficamos muito sentidos”, relatou Adarino.

Após a identificação do caso, a Inspetoria Veterinária realizou exames em outros cavalos que permanecem na propriedade. Conforme o proprietário, até o momento os resultados dos testes realizados nos demais animais ainda não haviam sido informados à família. Dessa forma, não há confirmação, até o momento, de infecção pelo mormo nos outros equinos da propriedade. A realização dos exames faz parte das medidas de controle sanitário adotadas diante da identificação de um animal com resultado positivo para a doença.

Durante anos, o exame para mormo foi uma exigência para o trânsito de equinos e a participação dos animais em eventos, inclusive durante a Semana Farroupilha. No Rio Grande do Sul, essa exigência deixou de ser obrigatória em julho de 2023, após mudança nas normas do Ministério da Agricultura. Desde então, o exame negativo não é mais exigido, de forma geral, para a emissão de GTA ou para a participação em eventos, embora regulamentos específicos possam estabelecer exigências próprias. A mudança, portanto, ocorreu há pouco mais de três anos e não significa que a doença tenha deixado de ser monitorada pelos órgãos de defesa sanitária.

Alegrete já teve um episódio envolvendo mormo que ganhou repercussão e chegou à Justiça. Em 2015, a égua Bionda, de propriedade de Moacir Senew, teve diagnóstico inicial que indicava a doença e foi determinada sua eliminação sanitária. O proprietário recorreu à Justiça e o advogado Rafael Faraco conseguiu impedir o sacrifício enquanto novos exames eram realizados. Posteriormente, exames mais conclusivos, incluindo análise internacional, não confirmaram a presença de mormo no animal. O caso tornou-se um dos episódios mais conhecidos envolvendo a doença no município e ocorreu justamente em um período em que as regras sanitárias para equinos eram mais rígidas.

O médico-veterinário Augusto Sheren, da Inspetoria de Defesa Agropecuária de Alegrete, explicou ao PAT, os procedimentos adotados após a confirmação de um resultado positivo para mormo em uma égua chamada Stella, que estava em uma propriedade no Rincão de São Miguel.

Segundo Sheren, o primeiro resultado positivo foi comunicado à Inspetoria pelo laboratório responsável pelo exame. A partir da notificação, o caso passou a ser tratado como suspeita sanitária, seguindo os procedimentos previstos na legislação de defesa sanitária dos equídeos.

O veterinário explicou que houve uma mudança importante na legislação relacionada ao mormo. Atualmente, diante de uma suspeita, é necessário realizar uma avaliação clínica do animal e, quando possível, coletar material para exames complementares.

No caso de Stella, porém, a situação encontrada pela equipe foi diferente. A Inspetoria recebeu o resultado positivo na tarde de sexta-feira e esteve na propriedade na manhã de sábado. Quando os veterinários chegaram ao local, a égua já havia morrido.

De acordo com Sheren, o animal estava em avançado estado de putrefação, o que impossibilitou a realização de novos exames na própria Stella e a coleta de material adequado para uma investigação complementar após a morte.

Outro fator considerado pela Inspetoria foi o histórico de trânsito do animal. Stella havia circulado por outros estados, informação que passou a integrar a investigação epidemiológica realizada pelo Serviço Veterinário Oficial.

Diante da impossibilidade de realizar novos exames na égua morta, foram coletadas novas amostras dos demais equinos que estavam na propriedade. Esses animais já haviam apresentado resultado negativo para mormo em exames anteriores. A nova coleta foi realizada como contraprova, dentro dos procedimentos adotados pelo Serviço Veterinário Oficial após o resultado positivo de Stella.

Sheren ressaltou que o mormo é uma enfermidade de importância sanitária e que, por isso, a confirmação laboratorial desencadeia uma série de procedimentos de investigação e controle por parte do Serviço Veterinário Oficial.

A legislação estabelece que a investigação deve considerar não apenas o animal com resultado positivo, mas também os demais equídeos do estabelecimento e o histórico epidemiológico relacionado ao caso.

A Inspetoria de Defesa Agropecuária de Alegrete é vinculada à Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul (SEAPI).

O que é o mormo?

O mormo é uma doença infectocontagiosa causada pela bactéria Burkholderia mallei. A enfermidade afeta principalmente equídeos, como cavalos, éguas, burros e mulas, e também é considerada uma zoonose, pois pode infectar seres humanos. Nos equinos, a doença pode apresentar evolução aguda ou crônica. Em alguns casos, o animal infectado pode não apresentar sinais clínicos evidentes.

Entre os possíveis sinais estão febre, tosse, dificuldade para respirar, corrimento nasal, emagrecimento, prostração e o aparecimento de lesões ou nódulos na pele e nas mucosas. Em casos graves, a enfermidade pode provocar comprometimento respiratório e levar o animal à morte.

Uma das dificuldades no controle do mormo é a possibilidade de existência de animais infectados sem manifestações clínicas aparentes, que podem contribuir para a disseminação da bactéria entre os equídeos.

Como ocorre a transmissão?

A transmissão pode ocorrer pelo contato com secreções e materiais contaminados por animais infectados. Entre as formas de disseminação estão o contato com secreções nasais e lesões, além do compartilhamento de água, alimentos, equipamentos e utensílios contaminados. A contaminação indireta também pode ocorrer por meio de objetos utilizados no manejo dos animais. Por isso, medidas de higiene, controle sanitário e acompanhamento veterinário são importantes para reduzir o risco de disseminação.

O mormo também pode infectar seres humanos. O risco está associado principalmente ao contato com animais doentes ou com materiais contaminados, especialmente entre pessoas que trabalham diretamente com equinos, como tratadores, médicos-veterinários e profissionais envolvidos no manejo. Fonte: Portal Alegrete Tudo

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