Em plena colheita da soja, o momento é oportuno para reflexão.
As médias na casa das 20 sacas pouco menos, pouco mais. Definitivamente podemos dizer que os anos difíceis chegaram. As reservas se foram. Inclusive a matéria orgânica do solo que anualmente tem diminuído na maioria dos talhões por receberem manejo impróprio especialmente no inverno.
A ausência de rotação de culturas e ao mesmo tempo o apego enlouquecido pela monocultura da soja nos deixa embretados. Entre os males oriundos desse sistema oque arrepia o pelo dos mais sensatos é a questão das plantas daninhas. Muitas delas resistentes a herbicidas, as vezes resistência múltipla e variada. O solo descoberto ou pouco coberto deixa entrar luz e germinar invasoras permanentemente desde que a temperatura seja favorável. A maioria delas são assim, fotoblastia positiva. Adotar práticas de manejo logo após a colheita da soja é fundamental para diminuir a proliferação delas. Diminuir pois muitas já sementaram e a colhedora esparramou pelos talhões onde ainda não tinha.
Outra ferramenta importante negligenciada até então pelo agricultor é o uso de herbicidas residuais ou pré emergentes, menos de 30% de uso. Lamentavelmente a adoção dessa ferramenta é baixa e não é por falta de orientação, é resistência mesmo por parte das cabeças gestoras da granja.
Na cultura do arroz a adoção chega a ser 90%.
São tantas ervas invasoras multiplicando-se livremente que chega dar medo. Caruru, losna, pé de galinha, capim arroz, buva entre tantas outras. Uma só é capaz de produzir até 200 mil sementes, se for caruru até 500 mil. O negócio é muito sério.
As novas tecnologias xtend e enlist entrarão no mercado por urgente necessidade e não por consciência.
As tecnologias antigas soja RR, e soja IPRO estão com os dias contados sendo bem otimista.
A necessidade de pensar e agir em sistemas de produção é urgente.
Rotação de culturas é essencial para quebrar um pouco este ciclo vicioso e decadente.
Adotar sistemas integrados é uma boa opção. Destinar parte da área de grãos para pecuária e manejar dignamente ajuda muito a diminuir os problemas existentes.
A farra das ervas daninhas é tão grande, prejudicial e ao mesmo tempo extravagante que se assemelha a dos gastos públicos federais. A diferença maior entre ambas é que na lavoura temos 365 oportunidades por ano para agir e combater esse mal, que depende basicamente de nossa parte enquanto que lá em cima é somente a cada 4 anos e não depende somente de cada um de nós, pois vivemos por enquanto na democracia, apesar de sentir que ela está com os dias contados, lamentavelmente.
Portanto é hora de agir, fazer a nossa parte adotando as técnicas amplamente recomendadas pela pesquisa, começando pelas prioritárias, as mais responsivas, a Rotação de culturas, os sitemas integrados, semeando cultivares com as tecnologias novas xtend , enlist, uso de herbicidas residuais, entre outras. Da mesma forma na política faz-se necessário agir mesmo não gostando, devemos opinar quando a ocasião pedir, pois para que os maus governem basta que os bons se omitam.
Fernando Bassotto
Agrônomo
Detec Cooperagro
































