A prevalência de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) vem aumentando ao longo dos anos. Em 2000, nos Estados Unidos foi registrado um caso de autismo a cada 150 crianças observadas. Em 2020, houve um aumento considerável: um caso do transtorno a cada 36 crianças. As estatísticas são do órgão de saúde Centers for Disease Control and Prevention (CDC), que divulgou a atualização em março de 2023. Apesar de não existirem estatísticas referentes à população brasileira, é possível usar os dados da pesquisa do CDC como uma referência para o país.
Em São Pedro do Sul, a procura por atendimentos de saúde para pessoas com TEA cresce cada vez mais, de acordo com a presidente da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) do município, Inez Marchezan.

O diagnóstico do autismo é feito com uma avaliação multidisciplinar, a partir de uma sequência de consultas e observações clínicas com diferentes profissionais de saúde. Após o diagnóstico, o tratamento para o TEA também necessita de uma equipe multidisciplinar. Segundo Inez, para que seja possível o acompanhamento de pessoas com autismo e seus familiares no município, é necessário um levantamento do total de pessoas com o diagnóstico. “Para pleitearmos políticas públicas e realizar esses atendimentos, precisamos de dados concretos e fidedignos, que hoje não temos”, afirma Inez.
Com o objetivo de realizar esse levantamento, Inez entrou em contato com o curso de Estatística da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) para o desenvolvimento de um projeto em São Pedro do Sul.
Segundo a professora do Departamento de Estatística da UFSM, Laís Helen Loose, após o primeiro contato de Inez com o curso, foi formada uma equipe para o desenvolvimento da pesquisa. No dia 08 de novembro, durante reunião entre representantes da APAE e do curso de Estatística, o grupo sentiu a necessidade de ampliar o público alvo do projeto, sugerindo o mapeamento de todas as pessoas com deficiências no município. “Diante desse movimento, vimos a necessidade de uma reunião com representantes da Prefeitura de São Pedro do Sul acerca do trabalho a ser desenvolvido”, afirma Laís.
No dia 16 de novembro foi realizada uma reunião na Prefeitura, que contou com a presença de representantes da APAE, Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência, UFSM, do Executivo e pais de alunos da entidade. Conforme Inez, o encontro buscou o apoio para a concretização de um convênio entre o município e a UFSM. “No sentido de estabelecer uma pesquisa estatística através dos agentes de saúde em cada domicílio, quantificando e qualificando os diversos casos de pessoas com deficiência, autismo e outros transtornos. Através desta estatística, que poderá ser realizada no primeiro semestre de 2024, busca-se o amparo em políticas públicas para atendimento das demandas da comunidade em geral”, ressalta a presidente da APAE.
Conforme a professora Laís, na reunião ficou acordado que os professores da UFSM envolvidos formalizariam a parceria por meio de trâmites institucionais. Também que o município seria responsável pela aplicação da pesquisa, por meio dos agentes de saúde do município, que receberiam treinamento adequado para a aplicação da mesma. Ainda, em paralelo a pesquisa, formações com os profissionais da área da Educação do município poderão ser desenvolvidas, no sentido de capacitar os professores da rede pública, desde a Educação Infantil.
Para que a pesquisa seja realizada em São Pedro do Sul é necessário a realização do cadastro do projeto e a formalização da parceria entre Prefeitura e UFSM, sendo que os trâmites ainda estão em andamento.
Saiba mais sobre o projeto
Objetivos
O objetivo principal é conhecer a população da cidade que tem alguma deficiência e trabalhar conjuntamente para implementação de políticas públicas para essa população.
Objetivos específicos
– Conhecer a população do município com deficiência e mapeá-la, em termos de bairro, ESF, escola, necessidades, etc.
– Promover capacitações para professores que atuam na rede pública do município;
– Contribuir na implementação de políticas públicas para esta população;
– Incentivar a criação de uma rede de apoio entre os segmentos da Educação, Saúde e Assistência Social para um atendimento transdisciplinar às pessoas com deficiências.
Como será realizado
A parceria entre a UFSM e a Prefeitura será feita por meio de um Acordo de Cooperação Técnica. Após firmado este acordo, a pesquisa será submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa pelos professores da UFSM.
Aprovada a pesquisa, os agentes de saúde do município serão treinados para aplicação do questionário que será realizado ao longo do primeiro semestre de 2024. As informações obtidas serão organizadas pela equipe da Estatística e compartilhadas com os gestores do município a fim de que possa ser feito um planejamento de políticas públicas e a captação de recursos para melhor atender a esta população.
Em paralelo, vinculado à Secretaria de Educação, busca-se a oferta de formações com os profissionais da Educação, sob a responsabilidade das professoras da Educação Especial.
Ainda com o projeto, espera-se que a longo prazo, o município seja autônomo no desenvolvimento de suas ações vinculadas à população com necessidades especiais e suas famílias. Por Andressa Scherer Tormes



































































