O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou a apoiadores na sexta-feira (9), em Brasília, que “nada está perdido” e que eles são responsáveis por decidir o futuro do País e “para onde vão as Forças Armadas”.
Na primeira fala a simpatizantes desde a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o chefe do Executivo fez um discurso ambíguo. Ao mesmo tempo em que disse “respeitar as quatro linhas da Constituição”, sinalizou para o questionamento ao resultado das eleições.
“Nada está perdido. O final, somente com a morte. Quem decide meu futuro, para onde eu vou, são vocês. Quem decide para onde vão as Forças Armadas são vocês”, afirmou em frente ao Palácio do Alvorada, enquanto apoiadores pregavam uma ação de militares para evitar a posse de Lula.
Já disse muitas vezes a vocês. Eu perguntava: ‘O poder emana do povo?’. Depende de quem o povo escolhe para representar. Porque, se o poder emanasse do povo somente pelo povo, Cuba não seria uma ditadura, nem a Venezuela. Devemos ver o que aconteceu nos outros países para que nós não venhamos a cometer exatamente o mesmo erro. Nada está perdido.”
“Hoje estamos vivendo um momento crucial, uma encruzilhada, um destino que o povo tem que tomar”, disse o atual presidente. “Nunca saí das quatro linhas da Constituição e acredito que a vitória será dessa maneira.” Ele ainda reforçou aos apoiadores que “vamos vencer” e que “se Deus quiser, tudo dará certo no momento oportuno”. O chefe do Executivo não especificou, entretanto, em que âmbito e como se daria esta vitória.
A presença de Bolsonaro animou seus apoiadores, que entoaram gritos de “ladrão” e “fora, comunismo” em protesto contra a eleição de Lula. Até então, apenas o candidato a vice de Bolsonaro, o general Walter Braga Netto, havia conversado com manifestantes no local. Ele estava ao lado do presidente durante a fala na sexta.
Bolsonaro ainda parabenizou os apoiadores pelos atos registrados ao redor do país em apoio a ele. “Vocês estão se comportando de forma democrática, se manifestando de acordo com nossas leis. Vocês são cidadãos de verdade. E está na hora de parar de ser tratado como outra coisa aqui no Brasil”, declarou. “Vamos acreditar, vamos nos unir. Criticar só quando tiver certeza absoluta. Buscar alternativas, e cada um vê o que pode fazer pela sua pátria”, acrescentou.
O chefe do Executivo também comentou o período que passou em silêncio após a derrota e falou em dor “na alma”. “Estou há praticamente 40 dias calado. Dói na alma, sempre fui uma pessoa feliz no meio de vocês, mesmo arriscando a minha vida.”




































































