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A DEMOCRACIA EM AGONIA   

Aqueles que não mataram as aulas de história sabem que, modernamente, a democracia não morre de repente, tipo parada cardíaca.  Nos dias de hoje a ruptura com os valores democráticos acontece de forma lenta e gradual. Antigamente as revoluções eram violentas. Degolava-se gente como no Rio Grande em 93. Ou então se matava no atacado como Che Guevara fez em Cuba. Ou no varejo, como aconteceu no Brasil na ditadura militar.

Hoje as ditaduras surgem e se impõem pacificamente, utilizando-se dos valores democráticos, onde o voto traduz a vontade popular e se transforma na principal e mais poderosa arma para a conquista do poder. Foi assim na Venezuela e em tantos outros países espalhados por este mundo de Deus.

O fato é que tanto a direita quanto a esquerda utilizam-se do voto e de eleições livres para solapar a democracia e todos os seus princípios. É um tipo de parto sem dor. Quando a mãe pátria se dá conta lá está a ditadura instalada, fortalecendo-se nos seios fartos e generosos de mães complacentes e esperançosas de que a recém nascida será uma benção para si e para todos que a cercam.

Este penar democrático é lento, que nem passeio de lesma. Coisa que não chama a atenção, nem causa medo ou qualquer sobressalto. Começa com a desmoralização dos políticos que são os operadores de qualquer sistema democrático. A distinta plateia vai se acostumando com as falácias, com as venialidades, com a sacanagem em que se transformou o fazer política. Infelizmente, nem sempre os políticos têm bons modos, quase sempre escamoteiam a verdade e não têm pudor, nem vergonha em serem corruptores e corruptos.

 Logo, o sistema político, como um todo, não está funcionando. Disso resulta uma democracia de baixa qualidade, resultado de maus governos, da ausência de líderes que se imponham pelo exemplo e pela ética. Para o bem e felicidade geral da nação, os políticos terão de se reinventar, cortar na própria carne, separar o joio do trigo. Instrumentos democráticos para isso existem. O que falta é vontade política, lambuzada de sem-vergonhice. Para dizer pouco o atual sistema político-partidário-eleitoral está altamente corrompido e, também por isso, trata-se de um sistema falido.

Esta desmoralização dos políticos transforma-se em argumento poderoso para os que querem substituir o poder legislativo pela caneta de um ditador.

O sistema judiciário também contribui para o enfraquecimento da democracia. Por hora, é importante dizer que, diante de sua morosidade histórica e em função do foro privilegiado, ladrões conhecidos, confessos e impunes concorrerão faceiros nas próximas eleições. Pior: alardearão que são vítimas de perseguição e de erros processuais. Por conta disso a distinta plateia aboleta-se na zona confortável da omissão e da indiferença.

Quando se deixa de levar a sério as instituições, a democracia corre sérios riscos. É perigoso quando as instituições são vistas como sanguessugas de dinheiro público. Quando são usadas para arquitetar artimanhas transformando o respeitável público em palhaço. Há de se insistir que a impunidade é facilitadora da corrupção. Mais que isso: estimula e envenena o tecido social viabilizando uma ditadura.

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