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DAVID COIMBRA

Pois o jornalista David Coimbra, no vigor de seus 60 anos, na semana passada nos deixou vitimado por um câncer contra o qual lutou bravamente. Quem acompanhava a sua participação no Timeline e no Sala da Redação, programas da rádio Gaúcha ou lia seus textos na última página da Zero Hora, não imaginava o seu sofrimento. Ainda que sentisse dores e vivia cada dia como se fosse o último de sua vida, ele escrevia de forma leve, escorreita, irradiando alegria, pois as dores não tolhiam a graça de seus textos, nem o bom humor transbordante em suas participações na mídia.

Eu não o conhecia pessoalmente, mas convivia diariamente com ele através de suas participações na imprensa. E, por conta disso, aprendi a admirá-lo e acabei seu fã. Sabia de sua doença, do tratamento que fizera em Boston, mas nunca imaginei que o sofrimento físico e moral que lhe acompanhavam em cada minuto dos últimos anos de sua profícua existência. Seu jeito de ser, de encarar a vida e de plantar esperança serviam como uma espécie de armadura contra qualquer manifestação de dor. Nunca se vitimizou! Jamais permitiu que se sentisse pena dele.

A sua morte me fez pensar sobre a vida, ou melhor dizendo, sob a forma de viver e de encarar os problemas e as descontinuidades do dia a dia. A morte, todos sabem, é a única certeza da vida. Todos, sem exceção, um dia chegaremos no momento mais importante de nossa existência: o momento da verdade! É o momento de olhar para trás e ver se valeu a pena vivermos. Não do ponto de vista material, pois sabemos todos que nada se leva no caixão que não seja nossas virtudes e nossos defeitos. Ninguém pedirá contas de nossas riquezas, pois na hora da verdade prevalecerá o valor de nossas boas ações e do jeito que escolhemos para viver e para conviver com os que nos cercam.

É uma tendência humana ser generoso com quem morre. É difícil ouvir alguém baixar o pau nos que nos deixaram. É lógico que há os que nada somaram durante a sua existência e há quem diga que eles já foram tarde. Mas há aqueles que não precisavam morrer tão cedo, furando a fila das hierarquias da idade, onde seria natural o mais velho morrer antes do mais novo.

O fato é que David Coimbra, morrendo, deixou-nos lições preciosas de vida. Mostrou que ela, sob qualquer circunstância, terá de ser bem vivida. Teremos de, diariamente, elevar os olhos para o céu e rezar para que Deus permita e que nossos Anjos de Guarda nos ajudem a dizer boas palavras, praticar boas ações, que tenhamos boas intuições e que tudo que fizermos seja em nosso benefício pessoal e em benefício das pessoas que nos cercam.

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