Uma dos assuntos que os economistas estudam na universidade é “ler” cenários, pois qualquer ação do governo sempre será consequente. Aliás, a terceira lei de Newton é precisa quando diz que a toda ação corresponderá uma reação de igual intensidade, porém em sentido contrário. Ainda que não entenda nada de física (nem de educação física), fui treinado para “ler” cenários, daí porque desde um ano atrás estou alertando sobre as sementes da inflação plantadas por Lula, regadas por Dilma e adubadas por Bolsonaro. Esta trinca conseguiu, com denodado brilho e competência, tirar o Brasil do rol dos países sérios. Não só pela corrupção, pois além de acabarem com a lava-jato, também enterraram o plano real. Credo!
A inflação é o imposto mais injusto que uma nação possa pagar, pois é suportada com grande sacrifício pelas populações mais pobres, principalmente por aqueles que não tem condições de controlar seus ganhos, ou seja, o respeitável público que, em sua maioria, é assalariado.
E muitas são as causas deste flagelo imposto por governos irresponsáveis, mais preocupados em distribuir benesses e bondades, ou seja garantir o voto do público pagante, que alicerçar o crescimento econômico perene e persistente, consequentemente com a moeda estável. Algumas causas são estruturais, outras, no entanto, por serem esporádicas, podem ser classificadas de conjunturais. Entre estas, podemos citar a pandemia, a seca, a guerra na Ucrânia. Este conjunto de horrores fez aumentar as contas da energia, disparar o preço dos combustíveis, a baixar a oferta de alimentos. Evidente, nenhum dos governantes citados é responsável por esta tragédia.
Observem que praticamente todos os países do mundo estão sentindo pressões inflacionárias o que, sem dúvida, complica em muito a equação para a saída da crise. Porém o que nos diferencia dos países sérios é que lá a capacidade gerencial dos governantes consegue segurar a inflação em patamares mínimos. E por que não podemos fazer o mesmo aqui nesta terra que tem palmeiras onde canta o sabiá como poetou Gonçalves Dias na sua Canção do Exílio? Por quê?
Porque neste país tropical não temos estadistas! Simples, assim! Nossos governantes são imediatistas, míopes quando sua visão consegue abranger tão somente as próximas eleições. Nenhum pensa no amanhã, nem se preocupa com as gerações que vem atrás e que sofrerão as consequências de seus equívocos. Ou seja, a causa maior da inflação é estrutural. A inflação conjuntural, no caso, é um simples acidente de percurso.
Quando não se tem uma infraestrutura eficiente que suporte a produção do país, a criação de empregos e a consequente geração de renda, isso desemboca na rigidez da oferta de produtos e de serviços. Isso passa pela política tributária, pela geração de déficit público. Essa é a raiz das causas estruturais!
Aliás, é bom lembrar que o déficit fiscal é um ato suicida, pois desencadeará um processo de recessão prolongado e, todos nós, os ricos e os pobres, pagaremos a conta desta irresponsabilidade. E os governos constroem déficits quando legislam em causa própria na fixação de salários imorais, em tudo incompatíveis com a estrutura social do país. Isso acontece quando o governo gasta irresponsavelmente, mantendo mordomias, benesses e bondades que poderiam estar melhor alocadas em educação e em saúde, por exemplo. Isso acontece quando a burocracia e o empreguismo na função pública são alimentados. Isso se agiganta quando o dinheiro público vira instrumento da imoralidade para agradar políticos ou interesses corporativos. Isso é consequência do apequenamento dos políticos e de suas políticas, vide a imoralidade do financiamento dos gastos de campanha, na farra nos legislativos, com os cartões corporativos, com a corrupção que solapa qualquer iniciativa que possa entusiasmar quem trabalha e produz.
Enfim, a distinta plateia sente na carne as consequências dos governos gastadores, pois tudo acaba em inflação e em políticas recessivas para controlá-la, como o aumento das taxas de juros e as pressões para derrubar o consumo.


































