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UMA VELHA E DISTINTA “SENHORA”

Pois São Pedro completou 96 anos! É um ano mais moça que o seu Arthur Spode que, nesta semana, quando almoçamos, relembrou algumas histórias vividas nesta velha e distinta “senhora”.

Estórias hilárias, escritas com esta grafia porque se referem à narrativas que só as esquinas de São Pedro testemunharam. Talvez nem fossem tão verdadeiras, mas que eram divertidas isso eram! O elenco era de primeiríssima qualidade. O enredo, então, dava um colorido especial para as noites silenciosas da cidade que não tinha TV e o cinema, que recebeu o pomposo nome de Cine Coliseu, do seu Stein, só funcionava às quartas, sábados e domingos.

Os atores, sem dúvida, talentosos na arte de fazer rir e, mesmo de rir de si próprios, eram fontes inesgotáveis de brincadeiras. Este elenco genial era formado por amigos inquietos que se revezavam no papel de algozes e de vítimas. Hoje, muitos deles dão nomes para as ruas de nossa cidade. O enredo, invariavelmente, era “aprontar” para alguém, sempre dando um colorido especial para cenários singelos que só as pequenas cidades oferecem. Divertiam-se vivendo suas estórias e seus dramas (poucos) e com isso empurravam o tempo.

E com uma memória “passada” invejável o seu Arthur desfilou estórias envolvendo Ivo Cordoni, Olavo Rosa, Pedro Lampert, Arthur Gausmann, Oswaldo Schmidt, Mario Agne, o Merengue, o seu Delfino e o seu Edgar (pai do Cacaio e da Tânia) e de outros que não lembro agora. Esta turma aprontou! E muito!

O Galeão, que funcionava nos fundos da padaria do seu Gausmann, era o ponto em que se organizavam empreitadas tais como roubar galinhas e convidar a vítima para a galinhada. Invariavelmente, estes jantares terminavam com um discurso de agradecimento ao dono das penosas. Numa certa feita encarregaram o Oswaldo Schmidt para suprir o ágape e as galinhas teriam de ser roubadas do Eurico Schnaedelbach. Ao mesmo tempo, avisaram a dona Arlinda, sua esposa do que estavam armando. Para relembrar, o seu Oswaldo era muito gordo. Talvez, até nem seja “muito”, mas no meu olhar de criança ele deveria pesar uns 180 kg. Na calada da noite o grupo foi até a casa de Eurico e, dizem, a grande proeza foi fazer o seu Oswaldo escalar um muro que separava o pátio da rua. Depois de muito empurra daqui empurra dali, bufando e gemendo, o seu Oswaldo conseguiu adentrar ao galinheiro. Com um saco de estopa na mão, agarrou um galinha pelo pescoço e, ao pegar a outra, um forte facho de lanterna flagrou o crime. Dizem que a dona Arlinda gritou: – “Quem está aí?” E com voz de surpresa, rindo da situação, emendou: “O senhor, compadre Oswaldo!” Ao perceber que tinha sido vítima da turma que atrás do muro ria desbragadamente, jogou o saco no chão, ofendendo com um palavrão as mães dos comparsas e caminhou de cabeça erguida a passos firmes entrando pela cozinha e saindo na porta da frente.

Outra feita, a dona Neli, esposa do seu Arthur foi vítima do próprio filho. O Wilson que não estava disposto a correr riscos desnecessários abasteceu-se no próprio galinheiro da casa…

E tem as estórias do Ivo Cordoni que, inclusive, um dia aprontou para o Olavo Rosa, estacionando o carro da dona Rhea atrás de sua camionete num lugar suspeito de nossa cidade. (Esta é imprópria). Do Mario Agne, o melhor contabilista da cidade, um verdadeiro mágico contábil, até porque sempre perguntava ao cliente: “Queres que dê lucro ou prejuízo?” Sem esquecer das estórias do seu Gausmann que, sem dúvida, foi o maior protagonista das brincadeiras que aconteceram nesta época.

Pois é, São Pedro, infelizmente, não mais testemunhará tantas extrepolias, que por serem ingênuas e inofensivas, deram um sabor especial à vida…

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