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GUERRA DE BOSTA

Todas as guerras são iniquas porque são imorais e obscenas. Há exceções, como a destemida guerra de travesseiros ou, como uma guerra de bosta, tipo aquelas que a gurizada lá de fora pratica com denodada pontaria. Como disse um bajeense ao ser perguntado como estava enfrentando a situação: “Peleando tchê! Pouca munição, mas muita coragem! Já estou juntando esterco de vaca que é para quando acabar a munição!”.

Historicamente, as guerras são causadas por interesses econômicos ou pelo narcisismo e egocentrismo dos falsos líderes ou com tudo isso misturado. O fato é que qualquer guerra, mesmo as muito pensadas e planejadas, encerram em seu bojo todos os sintomas de uma irresponsabilidade desmedida de qualquer liderança mundial. Como se diz, é fácil entrar numa guerra. Complicado é sair dela sem ter de enfiar o rabo no meio das pernas. Aliás, essa é outra razão para os perdedores manterem suas máquinas mortíferas funcionando e não darem um atestado de covardia… Cruz credo!

A todas estas, fica a pergunta: por que criaram a ONU? No final da segunda guerra, as nações vencedoras (Russia e EUA no meio) reuniram-se para construir um mecanismo que impedisse, em definitivo, que a cegueira alienadora praticada pelos defensores do ódio e do extremismo explodissem o mundo, já que a bomba atômica já era uma realidade macabra que, cedo ou tarde, poderia ser comprada no supermercado da esquina. O fato é que a ONU, com todo seu “aplomb” e circunstância não conseguiu segurar um ditador tipo Putin. 

Nada justifica uma guerra! Nada explica a perda de vidas de forma tão estúpida! Não sei quanto a Russia já gastou para destruir cidades inteiras e, principalmente, a infraestrutura urbana. Não faço ideia de quanto será gasto para reconstruir estas cidades.

Imagino mil modos de usar de forma mais adequada esta dinheirama incinerada a cada tiro de uma arma, cada vez que um jato militar decola, todas as vezes em que tanques moderníssimos são destruídos. Não tenho esta conta, mas fico imaginando o impacto destes recursos para acabar com a fome do mundo. Não consigo calcular o número de escolas e de hospitais que poderiam ser construídos.

O pior das guerras, da corrupção, da má gestão, é que a gente se acostuma. Como disse Simone de Beauvoir “o mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Às vezes, o assunto guerra é tão tedioso que deixa de ser notícia. Não sei quantas, mas imagino que neste momento está morrendo gente pelo mundo inteiro em consequência de guerras, revoluções, golpes de estado, etc… O mesmo acontece com o Covid. Morrer 1.000 pessoas numa tacada já não é mais notícia, nem emociona. A morte só emociona quando a vítima é um sogro rico ou coisa parecida. Enfim, a vida banalizou-se, as guerras incorporaram-se no inconsciente coletivo e ninguém mais chora as vidas perdidas.

Mas, não esqueçam, as nossas vidas serão atingidas mais cedo ou mais tarde. Assim como na pandemia, que não é culpa de ninguém, a guerra que tem culpados conhecidos, logo, logo chegará em nossa cidade. Seja pela falta de produtos, seja porque a inflação atingirá os preços dos que ainda estão na prateleira. Um exemplo será o encarecimento do trigo e da produção agrícola, já que os principais insumos para a produção de fertilizantes vem da Russia e, tanto eles quanto a Ucrânia produzem 30% do trigo consumido no mundo. Imaginem, com o colapso do fornecimento do trigo, quanto os argentinos cobrarão pelo que exportam para o Brasil. A guerra, com certeza, é uma bosta!

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