Na faculdade tínhamos um grupo de estudos que, no fundo, era o que se chamava de “panelinha”. Éramos cinco mosqueteiros que, entre uma história e outra, alguns desabafos (como se fizéssemos terapia), poucas brigas, muitas risadas, quando dava tempo, até estudávamos. Entre nós havia um colega que era chato! Chato é elogio: ele era muuuito chato! Porém, do grupo era o único que não trabalhava e, numa época em que não havia Google, o seu papel era pesquisar. Lia muito e seu pai, que era economista, tinha em sua biblioteca a enciclopédia Barsa e a Larousse. Um luxo! Entre as suas chatices, estava a mania de, frequentemente, com um brilho de triunfo no olhar, afirmar: “eu avisei!” Pior: quase sempre ele tinha razão…
Pois, lembrando dele, resolvi escrever sobre a pandemia. Vamos e venhamos: trata-se de um assunto recorrente e muito chato! Mas, agora surgiu a variante ômicron do coronavírus. Segundo os cientistas e a Organização Mundial da Saúde (OMS) esta cepa já se espalha pelo mundo e apresenta mais mutações do que a Delta. Talvez não seja tão perigosa, mas uma coisa é certa: é muito rápida! O fato é que países europeus que se imaginavam imunes e acima de qualquer ameaça voltaram às práticas extremamente restritivas que tanto abalaram a economia e que tantas vidas sacrificaram. A maioria de nós tem mortes de amigos ou de familiares a lamentar. Eu, particularmente, perdi uma prima querida com 75 anos e uma sobrinha com 42 e muitos amigos e conhecidos. A maioria era negacionista: ou seja, não acreditavam na vacina, achavam-se inatingíveis, imunizaram-se com ivermectina e olhavam com desdém quem usasse máscara ou tomasse outros cuidados pertinentes. Aliás, no auge da pandemia deparei-me com uma senhora num supermercado em Bagé que usava luvas, touca e um avental verde que lembrava aqueles usados pelos médicos numa sala de cirurgia. Outro divertia-se com os cuidados da esposa que o fazia tirar toda a roupa e sapatos antes de entrar em casa. Rindo ele dizia: “só falta me dar um banho de creolina!” Na verdade eles estão vacinados, vivos e sãos de lombo!
Triste é que vejo a displicência de muitos que encontro nas ruas em São Pedro. Principalmente, de jovens. A imprensa noticia que a metade dos que hoje estão sendo atendidos nos hospitais estavam vacinados contra a covid-19 e, por consequência, apresentam sintomas leves. Logo, a outra metade dos internados abrira mão de se protegerem através da vacina e são atendidos nas UTIs. A maioria era homens com menos de 40 anos. E, negando a vacina, estão nas ruas contaminando estranhos e talvez até amigos e conhecidos. Não se vacinando, estão colocando em risco suas famílias, em especial os mais idosos. Fugindo da vacina transformaram-se numa ameaça, num tipo imoral de arma letal!
Diante de tudo o que passamos, principalmente com os efeitos colaterais que respingaram na economia gerando desemprego, déficit público, fortalecendo o populismo, enfim, desorganizando a vida econômica e social de todos nós, já era para termos aprendido a agir de forma adequada. Ninguém pode dizer que não foi avisado, de que não sabia, que usar máscara, álcool em gel e evitar aglomerações, em especial em ambientes fechados é frescura! É evidente que se não formos capazes de frear a circulação do vírus estaremos plantando desgraça, mais sofrimento e mais prejuízos, principalmente para o comércio, hotelaria, prestação de serviços. Por descuidados, estamos comprometendo nosso futuro, esta coisa tão boa que é ser livre, que é usufruir o poder de um abraço sem reservas, de uma convivência gratificante. Chega de sofrer. Fazem dois anos que penamos.
Sinceramente, acho que se temos alguma inteligência, teremos condições de sobreviver com um mínimo de sofrimento e de dor. Já erramos uma vez! Repetir o erro é burrice!


































