Nossas redes sociais

Digite o que você procura

Agronegócio

TJ-RS confirma liquidação judicial da Cotrijuí

Com um patrimônio avaliado em R$ 375 milhões, a cooperativa de 65 anos, já foi considerada uma das maiores da América Latina. Foto: Divulgação

A 6ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça (TJ-RS) confirmou, de forma unânime, a liquidação judicial da Cooperativa Agropecuária & Industrial LTDA (Cotrijuí). Com um patrimônio avaliado em R$ 375 milhões, a cooperativa de 65 anos, que já foi considerada uma das maiores da América Latina, tem dívida superior a R$ 2,3 bilhões, conforme o último balanço, de julho de 2021.

A decisão encaminha o fim de um desgastante processo iniciado ainda em 2014, quando os próprios associados deliberaram pela liquidação extrajudicial da cooperativa, por conta de décadas de dificuldades financeiras, mas que ganhou novos contornos quando a trading chinesa Chinatex Grains & Oils, com US$ 10,5 milhões a receber, pediu a conversão para liquidação judicial.

Para complicar ainda mais a situação, o Ministério Público (MP-RS) deflagrou uma ação em janeiro de 2018 para investigar supostos crimes que teriam sido cometidos pelos gestores. A Justiça afastou toda a diretoria da cooperativa e nomeou o escritório Brizola e Japur – Administração Judicial como liquidante judicial. Toda a gestão da Cotrijuí passou a ser fiscalizada pelo juiz. Nada podia ser feito sem a sua autorização.

Em outubro de 2019, o juiz Guilherme Eugênio Mafassioli Correa, da 1ª Vara Cível de Ijuí, julgou procedente o pedido para que a liquidação fosse feita judicialmente. A sentença deu origem a mais de uma dezena de recursos interpostos por associações de credores, funcionários, amigos e associados da Cotrijuí, que pretendiam ainda encontrar formas para recuperar a cooperativa.

Na sessão do Tribunal de Justiça, em Porto Alegre, os desembargadores julgaram os recursos de apelação e confirmaram, na íntegra, a sentença do juiz Guilherme Eugênio Mafassioli Correa.

— Esse resultado confirma a situação de insolvência da cooperativa e permite o prosseguimento dos atos pertinentes à liquidação, a saber a alienação dos bens para pagamento de credores segundo uma ordem legal — observa o advogado Rafael Brizola, do escritório administrador judicial da Cotrijuí.

Representante de um dos grupos que questionavam a liquidação da cooperativa, o advogado Carlos Alberto Bencke disse que o caso ainda não está encerrado. Apesar da decisão desfavorável, ainda cabe recurso ao próprio TJ-RS e, posteriormente, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

— Não há conformismo por parte dos 19 mil associados, que dependem da cooperativa para a sobrevivência de suas famílias. Temos certeza de que o Direito nos socorre e que a Cotrijuí possui patrimônio que permite o soerguimento da instituição — afirmou o advogado.

Carlos Alberto Bencke admite as dificuldades, mas diz haver um movimento sólido, inclusive de interessados nas commodities produzidas pela Cotrijuí, dispostos a financiar a recuperação da cooperativa. Segundo ele, a venda do ativo pretendida pela administração judicial, ao menos neste momento, não seria necessária.

— Primeiro, porque não há perigo de perecimento destes ativos, a maioria imóveis e maquinário industrial em completo uso por diversos arrendatários. Segundo, porque todos estão rendendo aluguéis ou, como nos supermercados, faturamento entre 100 e 150 milhões por ano — ressaltou Carlos Alberto Bencke

De acordo com o administrador da Cotrijuí, entretanto, não houve, nesses quase cinco anos em que acompanha o caso, nenhuma proposta viável para recuperar a cooperativa. — A cooperativa não pagava em dia nem os salários de seus funcionários quando assumimos. Hoje, ao menos salários, tributos e fornecedores estão em dia — disse Rafael Brizola.

Advogado da Chinatex, Fernando Pellenz, do escritório Souto Correa, considerou a decisão mais um sinal da posição de vanguarda do Judiciário gaúcho. — Finalmente, a administração judicial poderá dar sequência à liquidação e pagar os credores. Há centenas de funcionários demitidos que não receberam sequer as verbas rescisórias. Alguns, infelizmente, até já morreram. Além disso, muitos ativos da cooperativa estão virando sucata e precisam ser vendidos imediatamente. A liquidação precisa prosseguir o mais rápido possível. Embora o procedimento a ser adotado seja complexo, já que casos de liquidação judicial de cooperativas são raros de acontecer — reconheceu o advogado da Chinatex.

Fernando Pellenz pondera que a lei das cooperativas deveria prever uma solução similar à lei de falências. — Da forma como ocorre hoje, a liquidação extrajudicial se dá sem a interferência do Poder Judiciário, e os credores ficam completamente à mercê das decisões tomadas pelos cooperados — argumenta o advogado da Chinatex.

Tempo agora
São Pedro do Sul - RS
Carregando...

Leia também

Agronegócio

O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) do Brasil está estimado em R$ 1,44 trilhão em 2026, conforme levantamento de setembro da Secretaria de...

Agronegócio

As recentes mudanças na cobrança da taxa de defesa sanitária animal têm gerado dúvidas entre os pecuaristas, sobretudo pela maior visibilidade no momento do...

Agronegócio

A expansão das exportações de filés congelados de tilápia pode representar uma nova etapa para a piscicultura brasileira. A avaliação é do presidente da...

Agronegócio

A Arena do Cavalo Crioulo, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS), recebe de quinta-feira (22/10) a sábado (24/10) a Final Nacional...

Agronegócio

A estimativa de setembro para a produção de grãos em 2026 aumentou 2,4%, para 354,5 milhões de toneladas, na comparação com 2025 (346,1 milhões...

Agronegócio

Uma rota que conecta o campo, o mercado e a qualidade da Carne Angus Certificada, valorizando os produtores, será realizada entre os dias 19...

Agronegócio

A produção de leite no país atingiu o recorde de 36,7 bilhões de litros em 2025, uma alta de 2,7% em relação ao ano...

Agronegócio

A Exposição Nacional do Charolês vai até o dia 27 de setembro de 2026, no Parque de Exposições Visconde de Ribeiro Magalhães, dentro da...

Agronegócio

Depois de algum tempo distante, o Charolês volta a brilhar na pista da Expofeira de Bagé, mostrando que tradição e inovação andam juntas no...

Agronegócio

O plantio de arroz começou em algumas regiões do Rio Grande do Sul, enquanto o excesso de umidade mantém as máquinas paradas em outras...

Agronegócio

A 49ª Expointer, que termina às 20h deste domingo (6/9) no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, registrou R$ 6.185.575.649,95 em negócios e 909.036 visitantes ao...

Agronegócio

A fêmea colorada salina Belle Reserva marcou seu nome no rol dos grandes vencedores da Morfologia ao conquistar o bicampeonato de Melhor Exemplar da...

Agronegócio

A Expointer 2026 chega à sua 49ª edição com mudanças que vão além da tradicional exposição de animais, máquinas e tecnologias para o campo....

Agronegócio

O 28º Pavilhão da Agricultura Familiar da Expointer contará com 509 expositores de diferentes regiões do Rio Grande do Sul. O espaço reunirá agroindústrias...

Agronegócio

A 49ª Expointer será realizada de 29 de agosto a 6 de setembro, no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio. Durante nove...

Agronegócio

A publicação da Portaria MF Nº 2.423, do Ministério da Fazenda, nesta quinta-feira (13), abriu o caminho legal e orçamentário que faltava para a...

Agronegócio

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta-feira (12) validar a chamada Moratória da Soja, acordo celebrado há 20 anos pelas principais empresas que atuam...