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Tétano e Encefalomielite, duas enfermidades que podem ser letais para os cavalos

Sem tratamento específico, a melhor forma de evitar os danos causados por estas doenças e investir na prevenção por meio da vacinação do plantel. Foto: Divulgação

Investir na saúde dos equinos é essencial para que a tropa alcance bons resultados, seja no ambiente de competições ou no dia a dia da fazenda. Além de uma boa nutrição e treinamento apropriado, o cuidado com a saúde destes animais tem como pilar fundamental o controle e a prevenção de doenças.

“O objetivo de todo criador é ter animais saudáveis no seu plantel. A maioria das doenças que pode acometer os equinos são previsíveis e, quase sempre, evitáveis por meio de vacinação e um manejo mais rigoroso”, explica Fernanda Ambrosino, médica-veterinária gerente de produtos da linha de equinos da Ceva Saúde Animal. “Dentre as enfermidades que podem gerar grandes prejuízos ao produtor, incluindo a morte dos animais acometidos, estão o Tétano e a Encefalomielite”.

Tétano

O tétano é um problema comum na rotina do campo, com um índice de mortalidade chegando a 80% dos animais acometidos. A doença é causada pela bactéria Clostridium tetani, que está presente em quase todos os ambientes na sua forma esporulada (“inativa”), e pode ser introduzida no animal por meio de ferimentos ou arranhões causados por esporas, arames ou mesmo cravo de ferraduras.

“O tétano não é uma doença contagiosa, ou seja, não passa de um animal para o outro, mas nem por isso deve ser negligenciada pelo criador. Como a bactéria está presente em quase todos os ambientes frequentados pelos animais, é importantíssimo que eles estejam protegidos contra este mal, especialmente os cavalos que têm livre acesso a pasto mesmo que provisoriamente. Os pequenos arranhões e machucados que ocorrem no dia a dia elevam exponencialmente os riscos de os equinos contraírem a doença”, reforça.

Ao adentrar o ferimento, a bactéria inicia a produção de toxinas responsáveis pela doença. Estas toxinas inibem o relaxamento muscular dos animais, o que os deixa como uma aparência rígida ou travada, com os primeiros sinais clínicos aparecendo entre 4 e 20 dias após a contaminação da ferida. Como os primeiros sinais da doença podem ser facilmente confundidos com outras enfermidades, o tratamento quase sempre sai caro e não é eficaz, com o animal evoluindo a óbito por paralisia cardiorrespiratória.

Encefalomielite

A encefalomielite (ou encefalite) viral dos equinos é uma doença causada por três diferentes vírus do gêneroAlphavirus, que promovem a inflamação das estruturas do encéfalo e da medula dos animais acometidos. A doença é uma zoonose que pode atingir os seres humanos, o que a torna uma doença de notificação obrigatória.

O vírus responsável pela encefalomielite está presente em aves, roedores e répteis, que são considerados seus reservatórios naturais, não apresentando nenhuma manifestação clínica da doença. Quando estes animais são picados por mosquitos, os mosquitos contraem o vírus e o retransmite ao próximo animal ou ser humano que for picado, contaminando-os.

“Existem três tipos de encefalomielite equina, a Encefalomielite Equina do Leste (EEE), Encefalomielite Equina do Oeste (WEE) e Encefalomielite Equina Venezuelana (VEE) – que é muito rara no Brasil. Das três, a encefalomielite equina do leste é a que tem uma progressão mais rápida e um maior índice de mortalidade, o seu vírus está presente em estados da região norte, nordeste, centro-oeste e quase todos os estados da região sudeste do Brasil, um grande motivo de alerta para todos”, Fernanda comenta.

Até o momento, o tratamento das encefalomielites é apenas de suporte, na maioria das vezes baseado em fluidoterapia, anti-inflamatórios e corticóides. Ainda não há nenhum medicamento com atuação certeira e eficaz como antiviral para esta doença, o que pode ter um desfecho fatal para os animais acometidos.

Sem tratamento, o melhor é prevenir!

Nas duas doenças citadas, o tratamento é de suporte e pode não ser efetivo, não evitando a morte do animal doente. Apesar disso, a prevenção do tétano e da encefalomielite é simples e muito prática: vacina.

“Não se pode negligenciar estas duas doenças sérias e tão fáceis de prevenir. Tanto no tétano quanto na encefalomielite, controlar o ambiente para que o animal não se contamine com nenhum destes agentes é uma tarefa árdua e quase sempre infrutífera. Por outro lado, elaborar um calendário vacinal e sanitário robusto para prevenir estas e outras doenças importantes nos cavalos é mais simples e traz muitos benefícios não apenas para os animais como para a propriedade como um todo”, elucida a médica-veterinária.

“Prevenção é a melhor estratégia: mais prática, mais barata e com melhores resultados em todos os casos!”, finaliza.

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