Nas últimas eleições para governador votei em Sartori, ainda que eu não seja PMDB. Foi um voto de reconhecimento! Desde Yeda Crusius nenhum governador trabalhou tanto para reestabelecer o equilíbrio orçamentário do Rio Grande. É evidente que os estadistas, porque enxergam o futuro no longo prazo, muitas vezes são preteridos nas urnas, como foi o caso de Yeda e de Sartori e de tantos outros líderes mundiais. Perderam nas urnas, mas entraram na história de cabeça erguida, com os louros do dever cumprido.
Elegeu-se Eduardo Leite e, para felicidade dos gaúchos, ele continuou o trabalho de Sartori, emplacando reformas estruturais importantes, entre as quais a previdenciária e conseguiu destravar o processo de desestatização de empresas deficitárias, notadamente usadas como moeda de troca e como cabides de emprego.
É evidente que o grande diferencial entre Sartori e Leite foi a capacidade de diálogo. Os que conhecem Eduardo Leite, pessoalmente, são unânimes em afirmar tratar-se de pessoa extremamente educada, agregadora, sempre usando uma linguagem clara e objetiva, o que resulta num forte poder de comunicação e de persuasão.
Esta sua capacidade de diálogo e a transparência de seus atos, deu-lhe credibilidade suficiente para convencer aos deputados estaduais da viabilidade de suas ideias para a recuperação das contas públicas. É inegável que o apoio da maioria dos deputados minimizou os efeitos danosos de uma oposição sistemática, que não faz, nem deixa fazer, porque sempre visa as próximas eleições, agarrando-se no princípio do quanto pior melhor. Aliás, esta bomba de ignorância, Leite desarmou quando anunciou que não seria candidato a reeleição e que, com o apoio de todos, mesmo da oposição raivosa, seria possível construir as condições mínimas necessárias para que o próximo governante, que poderia ser de qualquer partido, tivesse melhores condições para governar.
O fato é que, desde Yeda, nunca o Estado conseguiu fechar o ano com superávit orçamentário e, muito importante, disponibilizando recursos interessantes para investimentos públicos. Na verdade, os governadores que o antecederam queimavam suas energias tolamente administrando a folha do funcionalismo. É muito pouco para qualquer um que pretenda fazer a diferença!
Eu fico feliz com a vitória de Eduardo Leite, até porque me sinto gratificado sempre que a prática confirma a teoria. Aliás, uma vez um aluno disse em aula que a “teoria na prática é diferente”. Neste caso é bom lembrar que qualquer teoria, principalmente as econômicas, baseia-se em teses que terão de ser aceitas ou rejeitadas. Então, o segredo de fazer as coisas acontecerem é trabalhar no sentido de diagnosticar cada variável e trabalhar para corrigir suas distorções. Esta é a diferença. Este foi o diferencial de Eduardo Leite. Inclusive, provou na prática, que é possível pagar em dia o funcionalismo público.
Além do apoio dos deputados e da redução do rombo da previdência, muito além de destravar as desestatizações, houve um trabalho para diminuir a burocracia, o que melhorou a gestão. A sonegação foi combatida com eficiência e a inflação fez aumentar a arrecadação. O resultado nós conhecemos na prática: a redução da criminalidade, a melhora do desempenho industrial, apesar da pandemia, os resultados extraordinários das safras agrícolas antes da seca, mas que alavancaram a receita tributária. Tudo contribuiu para que o PIB do Estado crescesse acima da média nacional e que possamos, mesmo com pandemia, comemorar um superávit de 64 bilhões de reais. Temos governo, sim!


































