Dizem os fofoqueiros de plantão que o inferno está cheio de bem intencionados. Logo, como diria o meu caro Watson, aumentar os juros não significa que a inflação será debelada, controlada ou derrubada. E, por consequência, o presidente do Banco Central e o ministro Paulo Guedes estão discutindo com o excomungado o sexo dos anjos.
A economia, por ser uma ciência social, ou seja, não é uma ciência exata, permite que dois mais dois seja cinco. E aumentar a taxa Selic para 13,25% ao ano, com o intuito de combater a inflação, tanto poderá ser verdade, como uma rebuscada besteira. Até porque, pensem comigo: se a justificativa para o aumento dos preços é a guerra na Ucrânia, que fez disparar os preços do petróleo e de tudo que era produzido na Russia e no país invadido, um aumento da taxa Selic no Brasil não fará cócegas no tal de Putin, que alguns acham que é o próprio excomungado.
Em tudo na vida aparece a relação causa/efeito. Aliás, Newton emplacou uma lei que é infalível, provando que a toda ação corresponde uma reação de igual intensidade mas em sentido contrário. Por conta disso, pensem comigo: quem ganha e quem perde com o aumento das taxas de juros?
A desculpa oficial para o aumento da taxa Selic é a necessidade de inibir do consumo. As empresas vendendo menos, terão de baixar seus preços para reestabelecer o equilíbrio da tal da lei da oferta e da procura. Será?
Na prática, o que se vê é que aumentando os preços, a maioria da distinta plateia (que vive de salário fixo, de aposentadorias defasadas ou de bicos), terá de comer menos. Eu sei: primeiro tentarão substituir os produtos por similares mais baratos e, com isso, tentar fazer o salário caber no tamanho da barriga. Mas, nesta altura do campeonato, já não tem o que substituir, a solução será comer menos, sendo que muitos, os que já apertavam o cinto, começarão a passar fome. Então, uma coisa está clara: não é o respeitável público que ganha com o aumento dos juros.
Aí, quando a inflação dispara, até por vivermos um ano eleitoral, o governo tira da cartola um abono qualquer e com isso, ao mesmo tempo em que faz média com o eleitorado, aumenta o déficit público. Passo seguinte é financiar este déficit sentando no colo dos banqueiros fazendo a festa do sistema financeiro que se locupleta com a gastança e com o desgoverno.
Este é o problema de quem não conhece história, pois ela se repete e, cá para nós, ver reprise só no caso do filme ser muito bom. O filme de terror que desnuda a inflação, com certeza, ninguém quer ver de novo.
O fato é que mais uma vez a incapacidade de nossos gestores públicos concorre para a brutal transferência de renda de quem trabalha e produz para o sistema financeiro. Se não acredita e se está peleando para sobreviver, dê uma espiada em seu extrato bancário e veja os débitos criativos que atropelam o bom senso. Saudade do presidente Fernando Henrique Cardoso. Pense nisso…


































