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O DÓLAR E A INFLAÇÃO OU VICE VERSA

Numa conversa tipo de bar, onde histórias gostosas são contadas ou relembradas, um querido amigo (advogado) perguntou-me quem teria nascido primeiro: a galinha ou os ovos. Isso como preâmbulo para perguntar quem surge primeiro: o dólar valorizado ou a inflação.

Ainda que os efeitos possam ser convergentes, as causas são diferentes. O dólar, por exemplo, no fundo funciona como uma mercadoria e a sua valorização ou desvalorização perante outras moedas nacionais depende da lei da oferta e da procura. Quem oferta dólares? Produtores e exportadores de modo geral, em especial os que exportam commodities (carne, frango, soja, milho, minério de ferro, etc) que precisam trocar os dólares recebidos do exterior por real, utilizando-se do mercado de câmbio.

Quem compra dólares? Os importadores, que precisam trocar seus reais por dólares para pagarem suas contas no exterior, inclusive de compras de insumos. Isso aumenta os custos que, naturalmente, devem ser repassados para os preços finais de bens e serviços, o que atiça a inflação. A diferença entre os valores comprados ou vendidos gera o saldo da Balança Comercial que poderá ser superavitário ou deficitário. Logo, ninguém controla o dólar fora das leis da oferta e da procura. Simples assim!

A questão, então, é buscar mecanismos capazes de atrair dólares para o país. O aumento das taxas de juros, por exemplo, ainda que tenha um viés inflacionário, porque aumenta os custos, funciona como um excelente ímã para atrair poupança externa, ou seja, dólares. Quando os juros aumentam, o capital especulativo que anda solto pelo mundo em busca de melhores remunerações, vê o Brasil como uma excelente oportunidade de negócio. Mas, por que, então os dólares não voltam?

Por uma razão muito simples: os dólares deixam de ser “capital de risco” e transformam-se em “capital arisco”. Simples: ninguém gosta de perder dinheiro! Por conta disso, os investidores internacionais fogem como o diabo da cruz de países que não ofereçam segurança jurídica, nem estabilidade política. Quanto mais sério for o país, mais poupança externa ele atrairá.

O Brasil, quando acabou com a lava-jato e soltou o Lula, no maior exemplo de impunidade que um país possa dar, a segurança jurídica foi para o brejo. O mundo foi informado que aqui, no país do carnaval, do futebol e das mulheres mais lindas do mundo, a Lei sofre influência de ventos contraditórios que fazem qualquer biruta entrar em parafuso. Ou seja, o que é lei num dia, logo a seguir poderá deixar de sê-lo. Inclusive, é bom lembrar, a insegurança jurídica se reforça porque Juízes do STF passam a legislar, a abrir inquéritos, a prender e a mandar soltar.

Mas, como se isso não bastasse, o mundo assiste um presidente errático, sem um projeto de governo que não seja o de reeleger-se em 2022. Neste meio tempo as reformas estruturais entraram em compasso de Brasília ou são aprovadas em meia boca. Enquanto isso, o Brasil sangra, a população sofre, os empresários perdem dinheiro e oportunidades.

Concluindo: se mecanismos certos forem acionados, os dólares começam a voltar para o Brasil. Não só como capital especulativo que, por natureza, é volátil, mas sob a forma de investimentos diretos. No caso, a oferta de dólares no mercado interno pressionará a taxa de câmbio, fazendo com que o real se valorize perante o dólar o que se refletirá na redução de custos das empresas, na queda dos juros e, como consequência, na contenção da inflação.

Prova de tudo que escrevi acima é a conta do posto Ipiranga, também conhecido por Paulo Guedes, em paraísos fiscais. Não é ilegal, ele provou. Mas, provou também que, em se tratando de um Ministro de Estado responsável pela condução da economia, no mínimo sua aplicação é imoral. Deixou claro para o mundo que nem ele acredita no Brasil!

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