Há momentos na vida que a gente se sente perdido. Não sabe para onde ir. Pior: não sabe por que ir. A sensação é de abandono, de extrema solidão, de muita insegurança e de desesperança. É mais ou menos assim que me sinto em relação às eleições presidenciais e aos rumos da economia. O fato é que não precisamos de milagres, mas de atitudes.
Em relação às eleições, neste momento estou no time do nem, nem. Ou seja, nem Bolsonaro, muito menos Lula. E todo mundo sabe o porquê nenhum deles é digno o suficiente para ser Presidente. Aliás, o Brasil não merece nenhum deles.
Minha esperança era que surgisse uma terceira opção, de preferência um estadista, alguém que enxergasse o futuro, deixando de lado interesses pessoais, politiqueiros, alicerçados na vaidade e na fome de poder pelo poder.
Infelizmente, a terceira via ficou pelo caminho, soterrada por interesses que passam longe da recuperação econômica e moral do Brasil. A situação é tão surreal que além do ladrão e do ignorante, restaram Ciro Gomes (7%) e Simone Tebet (2%) conforme intenção de voto publicada pela Datafolha entre 16 e 18 deste mês. A maioria dos candidatos nem pontuaram. Logo, a polarização continua intata e aqueles que poderiam ser uma solução não empolgam, nem entusiasmam os que pensam num Brasil melhor, pois nenhum dos citados apresenta condições políticas superiores aos que lideram a pesquisa.
Imaginava que no período dos debates, diante de ideias, projetos e posturas, quem estivesse na rabada poderia surpreender como surpreendeu Germano Rigotto em 2002. De azarão ganhou o governo. Mas, tenho impressão que os debates serão poucos e o submundo da internet comandará o espetáculo de fake news. E, salve-se quem puder ou tiver juízo de não sair espalhando lixo. Aliás, parei de frequentar o facebook justamente por isso. Indignado, multipliquei uma inverdade, uma foto montada e levei um merecido puxão de orelhas de uma amiga. Como não tinha tempo de checar tudo o que eu recebia, optei por sumir do face.
Quanto ao comportamento da economia, a inflação mostra sinais de estar cedendo diante da acomodação do mercado com os novos patamares de preços. Muito em breve, a taxa Selic terá de recuar, o que alavancará vários negócios que hoje estão represados.
No caso do leite, acabou a entre safra, os efeitos da seca já não prejudicam. Resultado: aumentou a oferta e o respeitável público voltará a consumir mais. Resumindo, a seca, a pandemia, a guerra, a entressafra, empurraram os preços para cima. O choque de custos representado pelo aumento dos preços dos grãos (soja e milho), indispensáveis para a alimentação do gado leiteiro, já não assusta.
Cabe esclarecer que o grande vilão dos aumentos de preços não foi o choque de consumo como se insinuou quando aumentaram a taxa Selic. O que puxou a inflação foram os produtos com preços administrados, ou seja, a energia elétrica, os combustíveis, o gás, enfim, a mão desastrada do governo que não teve competência, nem vontade política para segurar aumentos abusivos. O leite sim refletiu uma conjuntura desfavorável que aos poucos vai perdendo espaço.
Estou falando sobre inflação para demonstrar que as forças de mercado são incontroláveis. Porém, a força do voto pertence a cada eleitor. O respeitável público colherá, no futuro, o que plantar nas urnas. Não se pode parar no tempo. Ainda bem que a vida continuará, apesar de tudo. Simples, assim!


































