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BRAGUETAÇO

Finalmente, após um noivado nas macegas, diante da possibilidade do suicídio de uma noiva desesperada diante da CPI, o Centrão amancebou-se com Bolsonaro para garantir a “integridade física e moral” do governo. “A noiva é feia”, – comentou Ciro Nogueira(PP-PI), nomeado chefe da Casa Civil. – “Mas é rica!” – garantiu Arthur Lira(PP-AL), presidente da Câmara de Deputados, responsável por aceitar ou não um provável requerimento de impeachment. Para o Centrão, entreverar-se com o dinheiro da noiva é bom como dinheiro achado, até porque não é roubado.

O Centrão é especialista em braguetaços. Ciro já esteve embaralhado com Lula e Dilma, inclusive tendo apoiado Haddad em 2018 e nem corou quando se acolherou com Michel Temer. “Si hay gobierno estoy a favor.” O que prova o dizer de Nelson Rodrigues: “o dinheiro compra tudo, até amor verdadeiro!”

Bolsonaro, mais do que errar, especializou-se na arte de repetir o erro. Daí concluir-se que as coisas não acontecem por acaso. Pelo contrário: é tudo caso pensado, importando, tão somente, garantir a sua reeleição e a continuidade de suas trapalhadas que, por públicas e notórias, fez despencar a sua popularidade comprometendo a sua reeleição. A gauchada sabe que cachorro comedor de ovelha não se endireita. Inclusive, dias atrás teve uma altercação via mídia com Arthur Lira, onde elogiaram-se no mais castiço português de botequim e agora gozam as delícias de uma lua de mel.

Bolsonaro não me surpreende. Aliás, em 2018 fez o mesmo que o PT lá na sua origem, quando prometeu acabar com o toma lá dá cá e construir um jeito diferente de fazer política, de reconstruir o Brasil e de moralizar as relações entre os poderes. Aliás, isso o PT cumpriu com denodo através das inovações introduzidas pelo mensalão, petrolão e a deterioração da economia. Ou seja, estragou com os pés o que Fernando Henrique construiu ao longo do seu governo, frustrando os que acreditaram que, finalmente, estávamos nos transformando num país sério e rico.

Quando explodiu no colo do respeitável público a Lei de Diretrizes Orçamentárias acariciando a politicalha com os R$ 5,7 bilhões, triplicando os dois bilhões que por si só já eram um escândalo e uma afronta aos que necessitam e não obtém os serviços públicos federais, Bolsonaro acusou o deputado Marcelo Ramos(PL-AM), expoente do Centrão e vice-presidente da Câmara, de ter embutido o fundo eleitoral dentro da LDO. Ao que Ramos respondeu: – “Bolsonaro não é culpado de nada. Se depender dele ele não é responsável por nenhuma das mais de 530 mil pessoas mortas na pandemia, nem pelos 15 milhões de desempregados, nem pelos 19 milhões de brasileiros com fome e nem mesmo pelos escândalos da tentativa de roubo na compra de vacinas. Ele deveria dizer é que vai vetar a Lei.” Isso foi golpe baixo, pois Ramos sabia que ele teria de aprovar ou vetar a LDO como um todo, o que seria um estrago maior.

Mas nem tudo está perdido neste Brasil de Bolsonaro, de Lula, de Ciro Nogueira, de Arthur Lira, de Marcelo Ramos e de outras más companhias. A economia reage de forma surpreendente apesar do tamanho do tombo. A covid-19 está perdendo diante do avanço da vacinação e isso se refletirá no nível de confiança dos empresários. Os investidores já começam a sair da toca. Tudo indica que se reiniciará um círculo virtuoso graças a geração de emprego e de renda, apesar de Bolsonaro…

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